Datas comemorativas são um convite ao consumo, estimulando a compra de presentes. Dias dos pais, das mães, dos namorados e tantas outras comemorações fazem as vendas – e o impacto ambiental relacionado a elas – dispararem. E existe a Black Friday, dia em que o homenageado é o próprio consumo, com promoções “imperdíveis” de marcas e lojas em vários países do mundo.

Pode ser uma boa oportunidade para uma compra realmente necessária e planejada, mas é também um estímulo ao consumo por impulso e em excesso. Neste dia especialmente, vale lembrar que nossas escolhas pessoais ajudam a construir um mundo mais sustentável, no qual está inserido o consumo consciente. 

Apesar deste tema ser hoje muito debatido, ainda há muitas dúvidas sobre ele. Muitos se perguntam por onde começar a mudança para estilos mais sustentáveis de vida. Com o objetivo de nortear escolhas em favor de uma sociedade do bem-estar, o Instituto Akatu identificou os 10 caminhos para a produção e o consumo conscientes.

Para mobilizar consumidores, empresas e governos em torno desse conteúdo, a organização realiza a campanha #SigaOs10Caminhos, convocando as pessoas a colocá-los em prática e compartilharem suas experiências nas redes sociais.

“Ao conhecer e valorizar os 10 Caminhos, cada um de nós, nos nossos diversos papéis sociais, fortalece a construção de uma sociedade mais sustentável – seja ao fazer compras no supermercado ou no modo de operar o próprio negócio. Ao optar por esses caminhos, cada um pode fazer a sociedade do bem-estar acontecer a partir de agora”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Confira os 10 caminhos apontados pelo Akatu

Na hora de comprar, sempre opte por peças de qualidade. Não adianta pagar mais barato por algo que virará lixo em pouco tempo, uma vez que sua durabilidade será menor – isso estimula ainda mais o consumismo. Um exemplo é o caso das lâmpadas LED, que são mais caras, porém duram até 13 anos e consomem muito menos energia elétrica.

Além de ser mais fácil conhecer a cadeia de produção, ao comprar um item produzido localmente, você incentiva o desenvolvimento da economia do lugar de origem e contribui para a diminuição de emissões de gás carbônico das longas viagens que os produtos fazem para chegar até o consumidor.

Por que compramos e guardamos em casa tantos produtos? Não seria possível usufruir do bem-estar que o produto ou serviço nos traz com um acesso temporário a ele? Cada vez mais as pessoas podem compartilhar o uso de um produto por meio da posse comunitária, alugando-o temporariamente ou buscando suprir a necessidade de uma forma a compartilhar o uso.

Além da preparação de alimentos com todas as partes de legumes e verduras, aproveitando talos, folhas, sementes e cascas, o aproveitamento integral diz respeito também ao planejamento das compras de somente o necessário, diminuindo o desperdício dos excessos. Também é essencial estender ao máximo a vida útil de qualquer produto.

Opções saudáveis, como a prática de esportes, alimentação balanceada e orgânica (sempre que possível) e o equilíbrio entre trabalho e lazer, aumentam o bem-estar de todos. Pessoas mais saudáveis têm menos necessidade de consumo de remédios, tratamentos e exames médicos.

A música ouvida no aparelho de MP3, o livro e a revista lidos em dispositivos eletrônicos, o filme baixado diretamente de uma “nuvem” são exemplos das possibilidades das opções virtuais. Além de não gerarem resíduos, as opções imateriais gastam, ao longo da cadeia produtiva, menos água, energia e outros recursos naturais.

Há sempre uma novidade no mercado aparentemente indispensável. A lógica da compra pela compra em si, desprovida de um conteúdo de real necessidade, assim como a troca desnecessária de produtos ainda em plena vida útil, extrapola o limite do suficiente para cada um. E, com isso, extrapola o limite da sustentabilidade que é garantir “o suficiente, para todos, para sempre”.  

Os valores da sociedade consumista têm superado o que realmente importa na nossa vida: emoções, experiências, convivência, lealdade ao que realmente somos e sentimos. Sabores, amanheceres e entardeceres, boas risadas, beijos, abraços. Isso é o que constituirá nossas belas lembranças, enquanto raramente nos lembramos de quem deu qual presente e quando.  

Algumas práticas só podem ser transformadas coletivamente, como é o caso do combate ao uso de trabalho infantil ou análogo ao escravo, ou das ações contra a destruição de matas nativas para cultivo da soja ou criação de gado. Os Pactos contra o Trabalho Escravo e os Pactos da Carne e da Soja são exemplos de ações nesse sentido. As empresas signatárias discutem e implementam conjuntamente estratégias de resolução desses problemas em suas cadeias produtivas, compartilham informações sobre as condições de fornecedores, e, gradualmente, reduzem até o desaparecimento as práticas condenáveis.

A forte insustentabilidade social e ambiental da sociedade atual exige a busca por novos princípios para a publicidade: ela deve dialogar com a demanda do consumidor por bem-estar, mais do que pelo pretenso significado da compra e do uso de cada produto; por inovação na direção de um mundo mais sustentável, mais do que pela novidade em si. Trata-se de uma grande oportunidade fazer uma publicidade mais consciente.