A startup gaúcha Luming Inteligência Energética criou, em parceria com a Cervejaria Ambev, um projeto inovador de geração de energia. As equipes da startup e da cervejaria identificaram uma oportunidade para reduzir a emissão de CO2 em 482 toneladas por ano – o equivalente ao plantio de mais de 2,8 mil árvores.

A iniciativa utiliza uma tecnologia americana inédita no Brasil e, como fonte de energia, aproveita o biogás emitido por uma das etapas do processo de produção da Ambev. O projeto foi concebido, implementado e será operado pela startup que desenvolve soluções de geração de energia a partir de biogás e gás natural, com soluções financeiras incorporadas.

No caso da Ambev, eles viram que as Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEIs) presentes nas cervejarias, para tratar a água usada na produção antes de devolvê-la a natureza, queimavam o biogás resultante do processo de tratamento, em vez de aproveitar seu potencial energético.

Esse biogás, que é um combustível renovável, agora é usado para movimentar uma microturbina e, assim, gerar energia que é reaproveitada pela fábrica. Essa forma de gerar energia é considerada a mais limpa que existe, porque tem pegada negativa de carbono – ou seja, reduz a emissão de CO2 com sua própria geração. Além disso, evita a sobrecarga da rede de energia.

Projeto já funciona em 3 cervejarias

O projeto foi implementado, primeiro, na cervejaria de Águas Claras do Sul (RS) e já foi replicado em outras três unidades, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Panará. Juntas, as cervejarias produzem 449 mil kwh de energia todo mês, o suficiente para abastecer cerca de 2,8 mil residências. 

“Nós temos uma série de metas voltadas para sustentabilidade e, em uma delas, nos comprometemos a reduzir em 25% as emissões de carbono ao longo da nossa cadeia de valor até 2025”, afirma Anderson Carneiro de Souza, Especialista em Energia e Fluidos da Cervejaria Ambev.

“O exemplo da Ambev abre caminho para que outras empresas busquem oportunidades de ganho ambiental e redução de custos a partir do que hoje é considerado resíduo, mas na verdade deveria ser visto como matéria prima ou combustível”, explica Rael Mairesse, sócio-executivo da Luming.

“O Brasil é o país com maior potencial do mundo em biogás, que na maioria dos casos é desperdiçado pela restrição de capital e complexidade tecnológica das soluções. O modelo de negócios da Luming soluciona a necessidade de capital e simplifica a gestão dos sistemas, que permanece a cargo da Luming, permitindo que a indústria mantenha o foco nos seus processos produtivos principais”, conclui Rael.