Balneário Camboriú (SC) acaba de receber a primeira residência da cidade abastecida por energia eólica, ou seja, com eletricidade gerada através dos ventos. O sistema já está operando com homologação da Celesc, desde o final de agosto, numa casa do bairro Parque Bandeirantes. A tecnologia instalada é capaz de produzir dois mil kWh (quilowatts-hora), gerando uma economia equivalente a R$625 na fatura mensal de energia da unidade consumidora.

A tecnologia produzida na Ásia chegou ao mercado brasileiro oferecendo vantagens. O empresário Sandro Marin, que instalou em sua residência, conta que o sistema ocupa muito menos espaço que as placas fotovoltaicas, por exemplo, e não depende da angulação relacionada ao sol, além de gerar energia durante a noite.

“O Brasil tem uma costa de oito mil quilômetros e grande potencial para explorar a energia do vento, principalmente no litoral e aqui na região sul. Apostamos neste sistema de energia limpa de pequena e média geração, a exemplo das torres maiores, que atualmente geram mais energia que a usina hidrelétrica de Itaipu. Estamos ansiosos pela chegada da primeira fatura de energia para confirmar a economia indicada pelo fabricante”, afirmou Marin.

Outra vantagem do sistema instalado é garantir que a energia excedente seja enviada para a rede da distribuidora local. Isso ocorre porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) oferece um incentivo para a diversificação da matriz energética brasileira, reduzindo o ICMS.

“A energia gerada é contabilizada em kWh no medidor e a fatura representa a diferença entre a geração e o consumo da família. O saldo positivo é revertido em créditos ao consumidor. Assim, além de suprir a demanda doméstica e pagar menos pela conta de luz mensal, o usuário ainda acumula créditos para descontar nas próximas faturas, com validade de cinco anos”, explica o diretor da Sua Energia, Júlio Paz.

Os créditos acumulados também podem ser compartilhados pela mesma operadora em diferentes pontos de consumo, em âmbito estadual, desde que a fatura seja do mesmo CNPJ ou CPF. Sandro Marin, que também é diretor na empresa Tek Trade, irá direcionar os créditos gerados pelo equipamento em sua residência para o seu negócio, localizado em outro bairro da cidade.

Entenda como funciona a tecnologia

O sistema de aerogerador é formado por uma turbina compacta em formato de cata-vento e um inversor, que transforma a energia contínua em alternada, permitindo a leitura pela distribuidora local. O equipamento também possui um rotor interno que funciona com indução eletromagnética. Isso permite que o sistema continue operando por um período maior sem vento, até que receba uma nova rajada.

Júlio Paz é diretor da empresa Sua Energia, que detém exclusividade para a instalação e comercialização do equipamento no Brasil. Ele explica que o inversor deste sistema eólico é híbrido, ou seja, também é compatível com o sistema de energia solar permitindo que a geração seja ampliada.

“Foram sete anos de pesquisa e desenvolvimento passando pela fase de homologação do produto, assinaturas de contratos e certificações internacionais até chegar na marca própria para a geração de energia eólica. A inovação foi desenvolvida por um fabricante asiático e cedida à Sua Energia com exclusividade em todo território nacional. A parceria com a importadora Tek Trade visa fomentar o acesso do consumidor e a popularização desta tecnologia”, conta Julio Paz.

Além do telhado de casas a turbina do aerogerador também pode ser instalada em locais abertos e topos de prédios, onde há significativa quantidade de vento. “Em Balneário Camboriú, por exemplo, a alta velocidade dos ventos nos topos dos prédios beneficia ainda mais a instalação desse sistema”, reforça Sandro Marin.

Retorno de investimento

O sistema de aerogerador já está à venda no país e deve gerar economia a médio e longo prazo. O consumidor pode adquirir o equipamento através de financiamento bancário parcelado em até 60 vezes, com taxa competitiva. A vida útil do equipamento é estimada em 40 anos. Para um modelo similar ao instalado na residência de Balneário Camboriú (SC), com geração mensal de dois mil kWh (quilowatts-hora), a estimativa de retorno do investimento é de três anos.