Após dois anos de diagnóstico, o Programa Água Doce começa a ser implementado nos estados. O objetivo é instalar e reformar sistemas para retirar o sal da água de poços de comunidades rurais do Semiárido, tornando a água própria para o consumo humano. Na Bahia, estado com a maior abrangência do convênio, serão instalados e reformados 385 sistemas, que beneficiarão 150 mil pessoas, até o final de 2016.

"Estamos em uma região onde as águas subterrâneas são salinas. A intenção é fazer obras de sustentabilidade coletivas, onde a população é que se serve, e a própria comunidade toma conta", explica Armua. A Bahia concentra 23% do Semiárido brasileiro, onde estão 265 municípios. Na fase de diagnóstico, foram identificadas 41 cidades, em estado mais crítico, que serão as beneficiadas em um primeiro momento. O governador Rui Costa disse que entrega, até o final de 2015, cem  sistemas, que oferecerão água a 40 mil pessoas. "O programa garante água doce de qualidade, como alternativa mais barata do ponto de vista de outros sistemas e mais sustentável, porque há água o ano todo", diz Costa.

Ao todo, o estado receberá o investimento de R$ 61 milhões, sendo a maior parte do governo federal. A Bahia entra com 10% desse valor. Nacionalmente, o programa prevê o investimento de R$ 240 milhões em todo o Semiárido, que beneficiarão 500 mil pessoas até o final de 2016.

A comunidade de Minuim, em Santa Brígida, na Bahia, foi a primeira a receber o sistema. A cerimônia de início das obras aconteceu na última sexta-feira (27). Além de ter água para abastecer a população, o local usa o residual do processo para a criação de peixes e par ao cultivo da erva-sal.

A região conta ainda com cisternas, para armazenar a água das escassas chuvas, e com carros-pipa do Exército e da prefeitura. A água do dessalinizador, por ser a mais pura, é usada basicamente para consumo humano. A associação cobra R$ 0,01 por litro. O dinheiro é destinado ao pagamento da energia usada pelo equipamento de dessalinização e para manutenção de todo o sistema.

Por Mariana Tokarnia – Agência Brasil

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.