A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) anunciou redução no investimento em tratamento de esgoto. Conforme publicado em reportagem do jornal Folha de S. Paulo, os gastos que seriam de 1,6 bilhão de reais, serão cortados pela metade.

A medida, de acordo com a estatal, deve-se à necessidade de ajustes na oferta de água. As obras realizadas no sentido de aumentar a produção custarão um alto valor à companhia. Somente os projetos já anunciados somam mais de 1,5 bilhão de reais.

A proposta é uma tentativa de driblar a crise hídrica instalada na capital paulista e em outras cidades da região metropolitana e interior do estado. No entanto, os especialistas garantem que deixar de investir no tratamento de água é justamente o caminho oposto do ideal. “O que deveríamos fazer é investir em tratamento de esgoto para que essa água seja reutilizada e possa retornar às nossas torneiras”, explicou o professor de Hidrologia da Universidade de Campinas, Antonio Carlos Zuffo, em declaração ao jornal.

Atualmente, 14% da população do estado de São Paulo ainda não têm acesso às redes de esgoto. Em consequência disso, as águas residuais acabam sendo despejadas nos mananciais sem nenhum tratamento, poluindo e gerando impactos na saúde pública.

Em um comparativo dos gastos da Sabesp nos últimos três anos, as estruturas para o esgoto sempre tiveram mais investimentos do que a água. No entanto, as mudanças geradas pela crise hídrica modificaram drasticamente o planejamento e o orçamento da estatal. A mudança também será sentida no bolso do consumidor, que deverá arcar com um aumento superior a 13% na conta de água.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.