Um grupo de 20 pesquisadores da USP criou um novo tipo de cimento, cuja fórmula reduz pela metade a emissão de dióxido de carbono em sua produção. A alternativa criada pelos brasileiros pode ser decisiva para métodos de construção mais sustentáveis nos próximos anos, quando devem se intensificar as atividades da construção civil.

A versão ecológica desenvolvida na Universidade de São Paulo substitui um material encontrado na “receita” do cimento por outro mais simples, que não precisa ser aquecido em forno para ser produzido. Assim, os pesquisadores evitaram a matéria-prima do cimento convencional, conhecida como clínquer, e aumentaram o uso de um ingrediente alternativo, chamado filler, que exclui o processo de aquecimento.

Ao substituir o clínquer, – mistura de argila e calcário –  o material de construção sustentável dispensou 95% das emissões de carbono emitidas para produzir o cimento convencional, que também tem um gasto de energia 80% maior do que a versão ecológica. 

Para Vanderley John, professor da Poli-USP, o objetivo é reduzir o clínquer e aumentar o filler, composto de pó de calcário cru superfino que dispensa o uso do forno para ser convertido em cimento. “O filler é uma matéria-prima mais simples, que exige estrutura menor da indústria e dispensa o uso de forno em uma das etapas de produção”, explica o professor, que também diz que, atualmente, a produção de cimento convencional responde por 5% do total de dióxido de carbono emitido na atmosfera.

O novo cimento pode ser uma saída para o planeta, uma vez que, segundo especialistas, a demanda pelo material de construção vai mais do que dobrar até 2050 no mundo inteiro, em comparação com os índices atuais. No entanto, os criadores temem que a indústria resista à alternativa sustentável, que pode abaixar o preço para o consumidor final. No caso, as indústrias consumiriam menos energia, abaixando os custos de produção.

Já existem empresas interessadas no produto, testado apenas em laboratório. “Tomando como base apenas o cimento brasileiro, a tecnologia da Poli poderia fazer cair a emissão para cerca de 360 kg de CO2 por tonelada de cimento, ou seja, 40% a menos”, revelou o professor Vanderley John, em declaração ao portal de notícias G1.

Redação CicloVivo

Avatar
Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.