Heineken inicia projeto de restauração e implementação de agroflorestas
Essa é a 1ª fase do projeto de agricultura regenerativa em parceria com a Rizoma – investimento inicial é de R$ 15 milhões
Essa é a 1ª fase do projeto de agricultura regenerativa em parceria com a Rizoma – investimento inicial é de R$ 15 milhões
Em junho de 2024 o Grupo Heineken anunciou a criação de um ecossistema de negócios de impacto positivo, o Heineken Spin, trazendo uma proposta disruptiva e cada vez mais necessária: renunciar ao lucro a qualquer custo para gerar benefícios para o planeta e para sociedade. “Eu não sei quantas empresas, no momento de hoje tem coragem de dizer: a gente não vai crescer a qualquer custo. A gente vai crescer de uma maneira diferente, de uma maneira verdadeiramente sustentável”, declarou o presidente do Grupo Heineken, Mauricio Giamellaro, na ocasião.
Quatro meses depois, em novembro deste ano, a primeira fase do pilar de agricultura regenerativa teve início com o plantio de 224 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em Itu, interior de São Paulo, onde está localizada uma das principais cervejarias da companhia. Com um investimento inicial de R$ 15 milhões, o projeto em parceria com a Rizoma, deve ocupar uma área de cerca de 135 hectares – equivalente a 190 campos de futebol.

A Rizoma é especializada no desenvolvimento de sistemas agrícolas regenerativos em larga escala, capazes de remover carbono da atmosfera e regenerar os ecossistemas naturais. Na parceria com o Grupo Heineken, a empresa será responsável por gerenciar e organizar as fases e o desenvolvimento do projeto.
“O grande diferencial de Heineken Spin é sua capacidade de construção de um ecossistema de impacto, trabalhando com parceiros para desenvolver soluções que integram modelos de negócios por meio de soluções baseadas na natureza que sejam rentáveis e que também cumpram um papel social de geração de renda para as pessoas impactadas. Nesse pilar, contamos com a expertise da Rizoma para trazer experiência e tecnologias que fortaleçam ainda mais nossas ações.” — Mauro Homem, vice-presidente de Sustentabilidade & Assuntos Corporativos do Grupo Heineken.
Antes de iniciar o plantio das 135 mil mudas, que começou nesta semana e se estenderá nos próximos meses, época com um maior volume de chuvas, as empresas realizaram a sistematização da área com o preparo e correção da fertilidade do solo, processo chamado de adubação verde e feito a partir da plantação de girassóis e feijão guandu.

Os principais objetivos dessa iniciativa são os ganhos ambientais, sendo um deles a remoção de carbono da atmosfera. Em cinco anos, tempo previsto para a finalização de todas as etapas, a projeção é o plantio de 1,2 milhão de mudas em uma área de mais de 800 hectares, o equivalente a 1.120 campos de futebol.
Nesta fase, o ecossistema de impacto avança em seu compromisso com a restauração ecológica ao combinar o reflorestamento com espécies nativas da Mata Atlântica e a implementação de agroflorestas, representadas pelo cultivo de citrus. Esse modelo tecnológico não apenas promove a recuperação da biodiversidade local, mas também maximiza a capacidade de sequestro de carbono, contribuindo para a mitigação de impactos no microclima local.
“Essa parceria com a Heineken acelera o crescimento da agricultura regenerativa orgânica e resulta em um dos maiores cases de agrofloresta em larga escala no Brasil e no mundo. É o melhor reconhecimento de que é possível implementar um sistema de produção que, em vez de degradar, regenera a natureza. Essa iniciativa que realizamos juntos inspira uma nova era de regeneração e renova a esperança em um futuro melhor para o planeta e para todos nós”, afirma Pedro Paulo Diniz, sócio-fundador da Rizoma.
As agroflorestas também desempenham um papel crucial no manejo eficiente da água, facilitando a infiltração e o escoamento adequado para as bacias hidrográficas da região e contribuindo para a preservação dos recursos hídricos, e colaborando com o compromisso global da empresa, de devolver à natureza 1,5x da água utilizada na produção.

“Combinar iniciativas eficazes para o equilíbrio do microclima e a preservação dos recursos hídricos, ao mesmo tempo em que utilizamos a comercialização do limão para impulsionar nossa agenda ambiental, reforça o impacto positivo que buscamos em nossa estratégia de sustentabilidade”, conta Mauro.
Em 25 anos a partir do plantio, a companhia poderá remover aproximadamente 500 mil toneladas de CO2 do meio ambiente. Além disso, o projeto colabora com as principais metas de redução de emissões do Grupo Heineken, entre elas, alcançar net zero nos escopos um e dois (emissões diretas de fontes proprietárias e emissões indiretas – como energia, respectivamente) até 2030 globalmente.
Outro ponto é o reflorestamento e a recuperação do bioma Mata Atlântica, bem como todos os benefícios decorrentes, como a biodiversidade. Segundo a SOS Mata Atlântica, esse bioma ocupa cerca de 15% do território nacional, abrangendo 17 estados, e é o lar de 72% dos brasileiros, além de concentrar 80% do PIB nacional.
A Fundação aponta que restam apenas 24% da área que existia originalmente, sendo que apenas 12,4% são florestas maduras e bem preservadas. No total, são 20 mil espécies nativas de plantas, 1,2 mil espécies de aves, 719 de anfíbios, 517 de répteis e 384 de mamíferos.
“Localmente, o projeto vai contribuir diretamente para regulação do ciclo da água, a partir da proteção de nascentes e melhora da absorção do solo – pontos importantes para Itu, que é uma cidade que enfrenta estresse hídrico, ou seja, riscos relacionados à disponibilidade e qualidade da água. Além disso, a floresta ajudará na recuperação da biodiversidade e na regularização do microclima, o que beneficia fauna, flora e as pessoas que vivem na região”, explica Mauro.
