Apesar de ser um pequeno país da América Central, a Costa Rica tem grandes desafios em relação à preservação ambiental e já é exemplo para países de todo o mundo. A meta costarriquenha é alcançar a neutralidade em carbono até 2021, quando serão comemorados os 200 anos de independência.

Esta preocupação com a natureza e a qualidade de vida de seus habitantes remete a ações antigas, de uma época em que a palavra sustentabilidade ainda nem existia. Na década de 70, em consequência da decisão política de não ter um exército nacional, o país latino-americano pôde destinar a verba para outros objetivos, como educação, preservação e criação de parques nacionais.

A mudança se refletiu na valorização do patrimônio natural, permitindo que o país se tornasse referência mundial, atraindo turistas e transformando a economia local. Para isso, o governo contou com outra decisão importante, ocorrida entre os anos 70 e 80: o pagamento por serviços ambientais, que entrou em vigor no ano de 1996. A partir desta nova política, os agricultores que preservassem a floresta nativa e priorizassem a recomposição ambiental, teriam o esforço revertido em benefícios financeiros. Assim foi possível ter um aumento de 79% nas áreas preservadas e em 2012 o país alcançou o índice de 52% em cobertura vegetal.

A Costa Rica é responsável por apenas 0,02% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, é um país em desenvolvimento, o que descarta o compromisso oficial com programas internacionais de contenção da poluição, como o Protocolo de Kyoto. Mesmo assim, o país foi destaque durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP18), realizada em Doha, no Qatar, no fim de 2012.

Durante o encontro entre autoridades mundiais, a Costa Rica apresentou o seu principal produto agrícola neutro em carbono, o café, e também mostrou ao mundo o seu desafio ambicioso. Mudanças no modelo de plantio de café, permitiram que a cultura impactasse menos o meio ambiente. Além disso, projetos de recuperação florestal e neutralização também são aplicados no setor pecuário, com o intuito de minimizar o impacto gerado pelos animais.

Conforme entrevista concedida pela ministra do Meio Ambiente da Costa Rica, Mónica Ayra, ao jornal O Estado de S. Paulo, o país abriu os olhos à urgência dessa questão após um informe feito em 2010, em que eram apresentadas as previsões de redução de 50% nas chuvas na região do Pacífico Norte entre 2071 a 2100. “Pela primeira vez na história da Costa Rica, as mudanças climáticas deixaram de ser só um tema do Ministério do Meio Ambiente”, explicou Mónica.

Além das medidas aplicadas do setor agropecuário, para que os desafios de neutralização sejam alcançados o país ainda tem uma grande preocupação com a área de transportes. Portanto, diversas medidas têm sido planejadas e aplicadas para modificar o setor que é responsável por 69% das emissões nacionais.

O projeto conta com a expansão do transporte público e o uso de uma frota mais eficiente, que substitua a princípio o petróleo pelo gás natural e posteriormente seja inteiramente elétrica. Esta decisão deve trazer benefícios ambientais e, principalmente, econômicos, pois reduzirá a dependência do país em relação ao combustível fóssil. Com informações do O Estado de S. Paulo.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.