A sustentabilidade é composta de três elos para entregar impacto positivo ao negócio e ao meio ambiente presente sem comprometer o cenário futuro. São estes: social, ambiental e econômico. Mesmo pequenos produtores da agroindústria podem ter um negócio sustentável a partir do emprego de mudanças conscientes. A consultora e Engenheira de Alimentos, Nathalia Rossetti, traz insights para os elos ambiental e econômico na cadeia de alimentos da agroindústria.
Começando pelo elo ambiental, como proporcionar um ambiente saudável e respeitável à natureza? Separei 3 ações mínimas que o empreendimento de agricultura e agroindústria podem trabalhar:
O primeiro passo é priorizar o encaminhamento correto dos materiais que passam na cadeia de alimentos de vegetais para que sejam reciclados. Plásticos e papel (exceto sanitário), por exemplo, precisam ser destinados ao local de coleta de recicláveis. No caso de caixa de papelão, o destino tanto pode ser à coleta de recicláveis como também os produtores podem fazer o recolhimento por meio de logísticas próprias. Aliás, bobinas de papelão são aceitas pela logística reversa do próprio fornecedor.
Outros materiais da cadeia que exigem atenção do produtor são as lâmpadas e os vasilhames de produtos sanitários. No caso das lâmpadas, há ecopontos mantidos por entidades municipais que garantem que o produto seja descartado corretamente sem prejudicar a saúde das pessoas e do solo. O produtor rural precisa se atentar aos pontos de destinação ou contratar serviços que garantam o encaminhamento correto. Já os vasilhames podem ser divididos em laváveis (geralmente feitos de plástico duro, lata ou vidro e com produtos que devem ser diluídos na água antes de serem pulverizados na lavoura) e não laváveis, sendo que nesta segunda opção a embalagem pode ser contaminada (normalmente feitas de material flexível, como saquinhos de plástico, sacos de papel ou sacos plásticos metalizados) ou não contaminada.
Para embalagens laváveis, é preciso realizar a tríplice lavagem em água corrente. Para embalagens não laváveis, é preciso guardá-las e fechá-las até o momento da devolução. Em ambos os casos, o material é recolhido pelos próprios revendedores e fabricantes, que devem assumir, junto ao produtor, a responsabilidade pela destinação final das embalagens vazias.
O segundo ponto é pensar nos recursos, uma vez que, em sua maioria, a agroindústria está localizada em zoneamento rural, logo a água que utilizamos retorna à natureza. Questione-se: qual é a qualidade dessa água que estou devolvendo? Estou usando de forma consciente o recurso água?
O próximo recurso é a energia. Entenda se é possível instalar placas solares e desligar lâmpadas que não estão sendo utilizadas para poupar o bolso e o meio ambiente.
Por último, o recurso solo. Quais os impactos dos agrotóxicos no meio ambiente e na saúde humana? É possível optar por soluções biológicas? Como evitar que o local da agricultura e da agroindústria cause ou sofra erosão por arraste de chuvas, ventos e depredação do solo?
As ações sustentáveis para os recursos naturais passam pela reflexão de como o negócio tem conhecimento e responsabilidade com a perecibilidade dos recursos aplicados.
O terceiro ponto refere-se ao próprio conhecimento da agricultura em si, que conduz a melhores escolhas sobre como aproveitar os materiais aplicados e os recursos disponíveis, tais como a agricultura protegida e a agricultura protegida e orgânica.
Ao se trabalhar com vegetais (frutas, legumes, verduras), a agricultura gera perdas ou desperdícios. Acontece que os desperdícios do não aproveitamento de vegetais saudáveis ao ambiente podem ser reaplicados ao solo como cobertura vegetal e ou adubação.
Compreender sobre o aproveitamento da matéria-prima a ser entregue na agroindústria ou na casa de embalamento conecta-se de forma direta ao capital investido no planejamento de plantio. Do contrário, uma das consequências é o excesso sem oportunidade de venda, que é uma perda de valor maior, pois, perdeu-se materiais aplicados ao vegetal, combustível para a logística na entrega da matéria-prima até a agroindústria ou casa de embalamento, mão de obra direcionada ao manejo daquele cultivo.
A sustentabilidade e a empresa ser financeiramente sadia, também, exige do produtor rural ou de uma ajuda técnica em gestão do negócio. Pois, o produtor ao alocar recursos de matéria-prima e insumos na área plantada precisa compreender que esses recursos precisarão estar alinhados com a demanda de vendas. Para haver a menor perda ou desperdício tanto no financeiro quanto na sustentabilidade do meio ambiente. Ter o acompanhamento de informações que geram dados e que colaboram com a tomada estratégica do negócio é a chave de um negócio saudável e responsável.
Ser uma empresa sustentável não está na contramão de ser uma empresa financeiramente lucrativa. Saber usar os materiais de forma coerente com o meio ambiente, com as pessoas, com a atividade fim.
Por fim, uma atividade válida que une lucros e sustentabilidade é pensar em mercados compradores de diferentes aspectos de consumo. Por exemplo, um mercado aceita folhas fora do padrão comercial, assim como alimentos de hortifrúti conhecidos como “fruta feia”. Matérias-primas que não têm valor comercial – por não ter identidade e qualidade classificada – poderiam ser jogadas foras, se o mercado não reinventasse o uso deste. Ou seja, o uso eficiente de recursos não apenas reduz custos, mas também pode abrir novos mercados e oportunidades de consumo. Assim, a agroindústria pode se tornar um modelo de negócio resiliente e responsável, capaz de entregar valor a todos os envolvidos, sem comprometer o futuro do planeta.
Por Nathalia Rossetti – Engenheira de Alimentos

