Agenda ESG ganha força no setor privado
Relatório apresentado durante evento do Pacto Global da ONU mostra crescimento do compromisso empresarial com a agenda ESG
Relatório apresentado durante evento do Pacto Global da ONU mostra crescimento do compromisso empresarial com a agenda ESG
O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na capital paulista, recebeu na última terça-feira (2) a quarta edição do Fórum Ambição 2030, promovido pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil. O evento reuniu empresas, especialistas e lideranças para discutir os desafios da Agenda 2030 e serviu também de palco para a divulgação dos resultados mais recentes da iniciativa, que já impacta diretamente mais de 2 milhões de trabalhadores no país. Considerado o maior movimento de sustentabilidade corporativa do mundo, o Pacto Global atua em parceria com o setor privado para incentivar práticas alinhadas aos princípios universais de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Na abertura do evento, o diretor-executivo da organização, Guilherme Xavier, destacou a emergência da agenda sustentável. “Urgência é o melhor argumento de negócio que existe”, afirmou. Segundo ele, o crescimento sustentável não deve ser visto como um obstáculo aos resultados financeiros, mas como condição para a longevidade das organizações. “Crescer assim não é abrir mão de resultados, mas garantir que haverá resultados no futuro”, completou.
Durante o encontro, foi apresentado o Relatório Ambição 2030 – Ano 4, que reúne os resultados alcançados em 2025 pelos dez movimentos temáticos da iniciativa. Os dados mostram que 389 organizações empresariais e não empresariais participam atualmente dos programas do Pacto Global no Brasil, número 11% superior ao registrado em 2024. Ao todo, a rede acumula 751 cartas de compromisso assinadas e mais de 2 mil metas públicas declaradas pelas empresas participantes. Entre os destaques do relatório está o desempenho das iniciativas ambientais. O Movimento Ambição Net Zero, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa, reúne 129 empresas que registraram uma redução acumulada de 87,35 milhões de toneladas de carbono nos últimos quatro anos. Já o Movimento + Água alcançou 88% de sua meta de contribuição para o acesso à água potável, enquanto o Movimento Conexão Circular reportou 77% de avanço na valorização de resíduos sólidos e apresentou projetos de inovação voltados à economia circular.

A agenda climática também ganhou um novo capítulo com a expansão do Movimento Impacto Amazônia, que passa a se chamar Impacto Biomas. A mudança amplia o foco da iniciativa para todos os biomas brasileiros considerados estratégicos para a conservação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas. O reposicionamento ocorre em um momento de crescente atenção internacional às questões ambientais brasileiras e às discussões que sucedem a COP30, ocorrida em Belém do Pará no ano passado. Os avanços sociais também tiveram destaque. O movimento Elas Lideram 2030 tornou-se o maior da Rede Brasil, com 145 empresas participantes, e superou a meta inicial de alcançar 30% de mulheres em cargos de alta liderança até 2025, chegando a uma média de 42%. Diante do resultado, a iniciativa ampliou seu objetivo para atingir 50% de liderança feminina até 2030, incorporando ainda aspectos de raça, deficiência e orientação sexual. O movimento Raça é Prioridade registrou média de 23,6% de pessoas negras e indígenas em posições de alta liderança nas empresas participantes e passa a incluir metas relacionadas à diversidade na cadeia de fornecedores.
A saúde mental, tema recorrente nos debates do fórum, também aparece entre as prioridades do relatório. O Movimento Mente em Foco passou a acompanhar as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a necessidade de gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Durante o evento, o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral defendeu a construção de ambientes corporativos mais saudáveis e chamou a atenção para a importância da escuta e dos vínculos nas organizações. Citando a Organização Mundial da Saúde (OMS), lembrou que o objetivo da saúde mental é permitir que as pessoas floresçam em suas vidas.
Apesar dos resultados positivos, o relatório aponta desafios importantes para os próximos anos. O engajamento da cadeia de valor foi citado por 26% das organizações como o principal obstáculo para a implementação das metas de sustentabilidade, seguido pelas limitações orçamentárias, mencionadas por 23% das empresas. As dificuldades aparecem especialmente em temas como salário digno para trabalhadores terceirizados e treinamento de fornecedores em práticas de integridade e combate à corrupção. Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, os resultados demonstram que o país reúne condições para assumir um papel de liderança nas transformações necessárias para o desenvolvimento sustentável. “Além dos compromissos públicos assumidos e das metas definidas, o momento atual exige implementação prática e demonstração de resultados. As medidas para acelerar e ampliar impactos positivos em escala têm avançado de maneira assertiva dentro das corporações brasileiras, mas o processo de aprimoramento deve ser contínuo”, afirmou.
Acesse o Relatório Ambição 2030, com os resultados de 2025, aqui: https://go.pactoglobal.org.br/relatorioambicao2030-ano4-doc