- Publicidade -

Cânhamo tem alto potencial como inseticida natural

Estudo em Ohio usa a “parente da maconha” para matar Aedes aegypti em 48 horas

cânhamo inseticida
O que foi surpreendente foi a pequena quantidade necessária para ser tão mortal aos mosquitos. | Foto: Esteban López | Unsplash

Variedade da planta Cannabis sativa, o cânhamo é uma das plantas cultivadas mais antigas da humanidade. Ainda sim, a ciência ainda tem muito a descobrir sobre os seus benefícios. Um estudo recente da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, revelou que o extrato de folhas de cânhamo é capaz de eliminar larvas de mosquitos transmissores de dengue e febre amarela em 48 horas.

- Publicidade -

No estudo, conduzido pelo aluno de pós-graduação em entomologia Erick Martinez Rodriguez, foram mortas duas cepas diferentes do mosquito Aedes aegypti, uma que era resistente a inseticidas típicos e outra que não era. “Os mosquitos são um dos animais mais mortais do mundo, principalmente porque, quando adultos, servem como vetores de doenças”, afirma Rodriguez. “É muito importante conseguir controlar essas pragas em um estágio inicial, quando elas estão mais vulneráveis”, salienta.

El Niño dengue
Foto: CC0 Domínio público

Ao contrário dos mosquitos adultos que podem voar por grandes distâncias e transmitir doenças por picadas, as larvas de mosquitos são organismos aquáticos frequentemente encontrados em água parada. Inseticidas sintéticos convencionais são ferramentas químicas importantes para matar populações de larvas de mosquitos, mas seu uso excessivo desenfreado levou à resistência a inseticidas e outros efeitos prejudiciais ao meio ambiente.

- Publicidade -

Inspirado por pesquisas anteriores da Universidade de Ohio, onde foi descoberto que as propriedades da casca de uma planta nativa de Madagascar funcionavam como um inseticida e repelente natural de mosquitos, Rodriguez procurou determinar se o cânhamo poderia atuar como uma alternativa viável e segura aos pesticidas atuais: o resultado foi positivo.

cânhamo inseticida
Foto: Matteo Paganelli | Unsplash

A planta do cânhamo é “parente da maconha”. Seu extrato de folhas contém canabidiol, ou CBD, e baixo teor de THC (tetra-hidrocanabinol) -, de forma que não provoca efeitos psicoativos, sendo cultivado principalmente para usos industriais, alimentares e medicinais. O CBD do cânhamo tem sido bastante usado em produtos para tratar ansiedade, dor, insônia e outras condições. No CicloVivo também falamos de seu potencial para a indústria civil.

- Publicidade -

Como foi realizado o estudo

Para testar os efeitos tóxicos do cânhamo contra larvas de mosquitos, a equipe pegou folhas de cânhamo secas ao ar, pulverizou-as até formar um pó fino e deixou o material de molho em metanol por algumas semanas para atingir as concentrações desejadas de CBD.

O metanol foi posteriormente removido da solução para facilitar a análise química, resultando em um extrato que foi finalmente dado às larvas com seus alimentos.

cânhamo inseticida
Foto: Roberto Valdivia | Unsplash

Dependendo da concentração de extrato de cânhamo usada, a equipe descobriu que a folha de cânhamo era potente o suficiente para ser igualmente tóxica para ambas as linhagens de larvas de mosquito. O que foi surpreendente, no entanto, foi a pequena quantidade necessária para ser tão mortal.

- Publicidade -

“Se você comparar a quantidade de extrato de cânhamo necessária para matar 50% da população com outros inseticidas sintéticos convencionais, ela está no lado alto, mas quando você compara lado a lado com outros extratos naturais que testamos em nosso laboratório, apenas uma quantidade relativamente baixa é necessária para produzir altos valores de mortalidade em larvas”, detalha Rodriguez. Enquanto o CBD eventualmente levou a 100% de mortalidade para as larvas, diferentes concentrações do extrato de cânhamo causaram diferentes taxas de mortalidade nas horas que antecederam esse momento.

Embora ainda não esteja claro como o extrato as afeta biologicamente, as descobertas da equipe mostraram que o CBD era o principal ingrediente ativo no extrato e que ele pode contornar com sucesso a resistência metabólica das larvas a outros inseticidas, o que se alinha com trabalhos anteriores.

“Como o cânhamo também é uma cultura mais sustentável do que muitas outras alternativas vegetais, os produtos inseticidas que o utilizam poderiam ser produzidos de forma relativamente barata”, afirma Rodriguez. Entre as vantagens de seu cultivo pesam o fato de crescer rapidamente, demandar menos pesticidas e herbicidas e poder contribuir para melhorar a qualidade do solo.

- Publicidade -

Vamos plantar cânhamo? Ainda não!

Embora a descoberta tenha o grande potencial de se somar às alternativas naturais para o controle de mosquitos, mais pesquisas precisam ser realizadas para investigar o quão seguros o cânhamo e o CBD são para organismos não-alvo, como abelhas ou outros insetos polinizadores.

“O CBD é um composto que parece ser seguro para pessoas e animais de estimação”, diz Peter Piermarini, coautor do estudo e professor de entomologia na Ohio State. “Será interessante aprender mais sobre como o CBD interage com várias proteínas em mamíferos e insetos para entender por que ele é seguro para pessoas, mas não para insetos.”

Ademais, a legalidade do cultivo de cânhamo varia muito. No Brasil, por exemplo, o cultivo de cânhamo é permitido para fins industriais, desde que o produtor obtenha autorização e siga as normas estabelecidas pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura.

- Publicidade -
assinantes
Veja nossa campanha aqui: benfeitoria.com/projeto/ciclovivo