poda de árvores
Foto: Pixabay

Fico muito desapontada quando vejo algumas podas de árvores na cidade.  Há verdadeiras brutalidades cometidas que poderiam ser minimizadas com simples conhecimentos. 

Embora seja um assunto de pouca complexidade, a poda é na maioria das vezes mal executada, trazendo sérios problemas para o equilíbrio da espécie, além do risco de quedas sobre os pedestres e veículos.

Geralmente os maiores estragos encontram-se nos centros urbanos, onde as árvores concorrem pelo seu espaço com construções e fiações elétricas.

Hoje a maioria das prefeituras já tem seu próprio código de arborização urbana, indicando as melhores alternativas para plantio nas calçadas e como devem ser os cuidados na manutenção.

Em geral, podemos classificar as podas em 3 tipos:

Podas de formação

Visa melhorar a aparência estética. Deve ser realizada desde que a planta seja uma muda de modo a conduzir o crescimento no formato adequado.

Poda de manutenção e limpeza

Evita problemas futuros ocasionados por galhos quebrados pelo vento e chuva ou ramos infectados por fungos ou bactérias. Também promove a melhor aeração entre os ramos, evitando o surgimento de doenças.

Poda de livramento

Quando produz algum risco a população ou ao patrimônio público ou privado. É o caso das árvores cujos galhos alcançam a fiação de energia, por exemplo. Neste caso, a poda geralmente é realizada pelas prefeituras ou empresas de serviços públicos.

Quando podar?

As árvores respondem melhor as podas em determinadas épocas do ano e cada espécie tem seu momento mais adequado para a realização do corte.

Árvores de repouso real ou decíduas que perdem quase toda folhagem durante o outono-inverno e florescem e frutificam na primavera-verão, devem ser podadas depois da perda das suas folhas, antes do florescimento.

Árvores de repouso falso que perdem suas folhas no outono, iniciam a floração no inverno que pode durar também na primavera,  são melhores podadas logo após a floração.

Árvores sem repouso aparente ou perenifólia perdem suas folhas ao longo do ano todo, mas florescem durante o inverno. Elas devem ser podadas entre o final do florescimento e o início da frutificação.

Como fazer a poda?

O bom desempenho de uma árvore depende do equilíbrio de seus “órgãos”, ou seja, caule, folhas e raízes. A poda deve proporcionar que a espécie mantenha seu metabolismo pois ele será essencial para recuperação da região amputada.

Por este motivo, o processo tem um padrão de execução que é fundamental para a saúde da árvore.

Primeiramente, é preciso saber identificar onde corte deve ser feito. O local exato para a realização da poda é na bifurcação dos galhos, onde se observa um pequeno círculo, chamado de anel. A parte superior deste entroncamento possui um volume mais grosso que é chamado de “crista”.

O corte final deve ser executado logo no final desta base mais grossa, assim, cortará o fluxo de nutrientes da região, evitamento novos brotos indesejados.

Mas o talho não deve ser feito de uma única vez, pois pode provocar danos a árvore. Existe um método, chamado de “técnica de 3 cortes” para fazer a poda correta.

1º Corte

O primeiro corte deve ser feito certa de 30 cm do anel, debaixo para cima em cerca de 1/3 da largura do galho (veja no desenho).

2º Corte

Cerca de 3 cm acima do primeiro corte, faz-se o segundo corte. Este mais profundo, cerca de 2/3 do galho. Neste momento, o peso do galho força a quebra da madeira, mas o corte anterior impede que o tronco lasque. Esta fase deve ser conduzida com o auxílio de cordas para evitar a queda brusca que pode machucar as pessoas no entorno.

3º Corte

Somente depois disso, deve-se cortar o toco que sobrou no local definitivo, bem acima do anel.

Embora alguns manuais de arborização urbana considerem desnecessário fazer “curativos” nos cortes das árvores, a sabedoria popular indica que se misture pasta de dente (daquela branca) com canela em pó.  Essa mistura aplicada na região da poda impermeabiliza a ferida, evitando a entrada de bactérias.

As ferramentas apropriadas para o corte dependerão do tamanho dos galhos, mas geralmente podem ser usados tesourão de poda, arco de serra ou serrote. Não utilize serra elétrica sem treinamento adequado.

Podas de raiz

Algumas árvores possuem raízes bem invasoras e infelizmente, há muitas ainda plantadas nas calçadas. Contudo, também há raízes que afloram em busca de água, de nutrientes, por falta de aeração do solo ou ainda porque são pressionadas por lençóis freáticos altos.

Cerca de 90% das raízes estão a cerca de 80cm do solo e o sistema radicular delas pode ser de 1 a 6 vezes o diâmetro da copa.

A poda de raiz pode impactar no equilíbrio da árvore e por isso deve ser realizada apenas por profissionais especializados que irão garantir a estabilidade da espécie. Não se arrisque!

Evite podar

Toda poda é uma lesão e sempre haverá um certo stress na planta. Portanto, quando se puder evitar o corte, é melhor. Mas para isso, é necessário que o trabalho seja feito antes mesmo do plantio, escolhendo a espécie correta, de preferência do bioma da região e que tenha um porte adequado, principalmente as que são destinadas as calçadas ou sob a fiação urbana.

Além disso, as mudas devem ser sadias e bem conduzidas durante o crescimento e plantadas em um espaço de solo que garanta a absorção da água e boa quantidade de terra.

Desta forma, a tendência é que as podas sejam menos frequentes e a espécie tenha seu desenvolvimento adequado ao espaço que a ela foi destinado.

compensar carbono
Foto: Unsplash

Porém como ainda temos muitas árvores que foram plantadas antes das diretrizes ambientais atuais, pode-se haver a necessidade de realizar podas.

Nestes casos, antes de realizar pessoalmente o trabalho, informe-se com a Prefeitura da sua cidade sobre as normas e procedimentos corretos. Assim, você garante que cumprirá as exigências legais, executando o procedimento de maneira segura e adequada para o bem estar da espécie e das pessoas.