O sistema de metrô London Underground possui 11 linhas ao todo, mas é da Northern Line (ou Linha do Norte) que sairá o calor residual para aquecer centenas de casas em uma área descolada de Londres – o distrito de Islington. 

O projeto consiste em capturar o excesso de calor que hoje é expelido em City Road, uma estação de metrô desativada desde os anos 20. Este excedente será canalizado para fornecer calor e água quente aos lares londrinos durante o inverno. Já no verão, o sistema é projetado para funcionar de forma reversa: permitindo a entrada de ar fresco. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre o Conselho de Islington, Transport for London (órgão do governo que gere o transporte) e a empresa de engenharia Ramboll.

Esta é segunda fase do projeto da central elétrica Bunhill inaugurada, em 2012, para fornecer aquecimento mais barato em Islington. Até então, já são beneficiados 700 casas, escolas e um centro de lazer pelo calor excedente da central. Agora, a ideia é expandir para mais prédios comunitários, escritórios e 450 residências. 

De todo modo, o potencial é ainda maior. Segundo a Greater London Authority (GLA), o calor que é desperdiçado em Londres seria suficiente para atender 38% das demandas de aquecimento de toda a metrópole.

Tal busca por fontes alternativas não é à toa. O governo anunciou que vai proibir caldeiras a gás em novas residências a partir de 2025. Além disso, quer zerar suas emissões de transporte até 2050.

O projeto integra uma série de iniciativas similares que estão ocorrendo no Reino Unido: aquecer casas usando os “resíduos” de calor das fábricas, usinas de energia, rios e poços de minas desativados. Além de contribuir para a redução de emissões de carbono (em um momento em que todas as grandes nações precisam apresentar esforços frente ao Acordo de Paris), a medida ainda pode baratear os custos energéticos dos moradores.

A promessa é que o aquecimento oriundo do metrô já comece a funcionar no próximo inverno, que tem início em 22 de dezembro.

Estação Angel na Northern line. Foto: Chris McKenna | CC

Islington

Reduto de jovens e pubs, Islington é uma área conectada com as demandas sustentáveis. O Conselho local já declarou emergência climática e prometeu trabalhar para tornar a região carbono zero até 2030. Por enquanto, já converteu todas as luzes de rua para lâmpadas LED, instalou pontos de recarga para veículos elétricos e tem a meta de reduzir suas emissões de carbono em pelo menos 40% até 2020 – em comparação com os níveis de 2005.

Também o Fundo de Pensões do distrito busca “descarbonizar seus investimentos” até 2022, reduzindo ações em combustíveis fósseis. “Existem muitos fatores que estão fora do controle do conselho e pedimos ao governo nacional e outros que forneçam a liderança e as ações ousadas necessárias para nos apoiar”, afirma a conselheira local Claudia Webbe.