Famosos apoiam campanha pelo fim da eutanásia de cães doentes

O que Fafá de Belém, Cléo Pires, Fernanda Tavares, Thaila Ayala, Ellen Jabour, Doda Miranda, Nasi, Giovanna Ewbank, Fiorella Mattheis, Yasmin Brunet, Bruna Lombardi, Mariana Lima e Dani Lins têm em comum? Além de serem conhecidas nacionalmente, essas celebridades aderiram a uma nobre causa da ONG Arca Brasil e da OSCIP Ampara Animal: a luta pelo fim da matança sistemática de cães pelo poder público em nome do combate à leishmaniose.

Esses grandes nomes da TV, dos esportes e da música vestiram literalmente a camisa e fazem coro ao lema “Prevenção é a única Solução!”. Com essa atitude, estão ajudando os animais e também os cidadãos brasileiros, expostos a uma política pública extremamente equivocada e arriscada para todos.

Entendendo o problema

A leishmaniose visceral é uma doença grave, transmitida pela picada de um flebótomo, chamado popularmente no Brasil de mosquito-palha. Os cães não são os “culpados” pela enfermidade, tampouco os transmissores. Mas, atrelado a uma visão ultrapassada, o governo opta por eliminar o cão infectado — chamado de ‘reservatório’ —, acreditando que assim diminuiria a incidência da doença. O raciocínio seguido é, no mínimo, tortuoso: caso o mosquito vetor venha a picar um desses cães, e na sequência também picar uma pessoa, haverá o risco de transmissão. Por causa dessa hipótese, há mais de 50 anos que as autoridades em saúde pública no Brasil adotam a matança de cães em áreas de risco como política preferencial de combate à doença.

O método, além de cruel, vem se provando ineficiente, já que a incidência da leishmaniose só cresce no Brasil. Como os exames governamentais não são precisos, muitos animais que sequer são infectados acabam sendo tirados de suas famílias e levados à morte arbitrária, imposta pelas “autoridades sanitárias”. Nem a Organização Mundial de Saúde (OMS), nem a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), preconizam a matança de animais como política de controle da leishmaniose. O Brasil é o único país do mundo a adotar essa prática.

O que precisa ser feito:

– Existem medidas preventivas, como a vacinação (de eficácia reconhecida pelo próprio Ministério da Saúde) e repelentes (que mantêm os insetos longe do animal) que usados em larga escala, são medidas eficientes e humanitárias de combate à leishmaniose. Semelhante às campanhas de vacinação antirrábica, os governos (federal e municipais) podem ajudar os cidadãos a compreenderem a importância de manterem seus animais “a salvo”, adotando para tanto os mecanismos preventivos já existentes.

– O Brasil precisa assumir uma postura mais condizente com o século 21: os cães podem e devem ser tratados, não simplesmente eliminados. É necessário apenas que o Governo, por meio de seus órgãos e autarquias, desburocratize os processos e facilite o acesso da população a esses insumos.

– O flebótomo que transmite a doença se reproduz e desenvolve em material orgânico em decomposição. Limpeza pública, saneamento e tratamento ambiental correto são essenciais, especialmente nas áreas que recebem grandes obras (cuja viabilização exige extenso desmatamento) e sofrem ocupação desordenada (por exemplo, em zonas de mananciais).

– Uma extensa campanha educativa, a exemplo do que já se faz no combate à dengue, certamente ajudaria a população a entender e eliminar as condições ideais para a proliferação do flebótomo — e proteger o seu cão.

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