O principal ingrediente de um hambúrguer vegetal desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) é um subproduto das fabricantes de suco: a fibra do caju. Foram formuladas duas versões, em ambas são acrescentadas uma base proteica.

Na receita formulada para a produção doméstica foi acrescentado o feijão-caupi (também conhecido como feijão-de-corda) – esta tem o objetivo de oferecer uma alternativa de renda a agricultores familiares. Já a opção projetada para ser comercializada em escala industrial recebe proteína de soja em sua composição.

Uma das vantagens do novo produto está no preço. O principal insumo do hambúrguer vegetal, a fibra do caju, representa apenas 3% dos custos variáveis de composição do produto. “É um custo muito baixo para a matéria-prima principal do produto”, diz o economista Pedro Felizardo Pessoa, pesquisador responsável pela análise de viabilidade econômica da tecnologia. Segundo ele, um quilo do bagaço de caju pode ser adquirido por R$ 0,30.

A fibra de caju é abundante e barata.
A tecnologia já está finalizada e disponível a interessados em fabricar o produto.

De acordo com o estudo levantado pelo pesquisador, enquanto o quilo de outros hambúrgueres vegetais pode ser encontrado no mercado por R$ 50,00, o do hambúrguer vegetal desenvolvido na Embrapa pode ser comercializado por R$ 12,00 (24% a menos do preço de outros tipos de hambúrguer vegetal). O valor é também menor que o do hambúrguer de carne bovina, cujo quilograma pode ser encontrado no mercado por R$ 15,00.

Com a adição de proteína vegetal, os hambúrgueres de caju tiveram bons resultados nos testes de análise sensorial e de intenção de compra, além de serem alternativas para quem não consome proteína animal.

A Embrapa salienta que o hambúrguer é apenas uma das possibilidades de aproveitamento da fibra de caju. O processo para a utilização deste subproduto, de acordo com a empresa, envolve a lavagem da fibra para redução da acidez e sabor da fruta e o processamento para redução do tamanho das fibras.