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Cimento sustentável feito com vidro reciclado e resíduos

Nova alternativa ao cimento usa vidro reciclado e resíduos da construção para reduzir emissões e reaproveitar sobras industriais

reciclagem de vidro
Foto: Divulgação | Green Mining

Pesquisadores desenvolveram uma nova solução para substituir o cimento na solidificação do solo, utilizando resíduos industriais como vidro reciclado e restos da construção civil. Essa inovação resulta em um material com baixo teor de carbono, oferecendo uma alternativa mais sustentável para a construção civil.

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Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os setores de construção e meio ambiente são responsáveis por cerca de 37% das emissões globais de gases de efeito estufa. O cimento, em especial, é um dos principais vilões, contribuindo com 8% dessas emissões, conforme dados do Fórum Econômico Mundial.

Tradicionalmente, o cimento é utilizado de forma ampla para solidificar solos em obras como fundações e bases de estradas, melhorando a resistência, compactação e impermeabilidade do solo. No entanto, uma equipe japonesa de cientistas propôs uma alternativa utilizando sílica terrestre — um ativador alcalino derivado do vidro reciclado — e pó de corte de revestimento (SCP), um subproduto gerado pela indústria da construção. Os resultados do estudo foram publicados na revista Cleaner Engineering and Technology.

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reciclagem de vidro plano
Para reciclar, não é preciso que o vidro esteja intacto. | Foto: Lesia Pko | PxHere

“Esta pesquisa marca um avanço importante na área de materiais sustentáveis para construção”, declarou Shinya Inazumi, professor da Faculdade de Engenharia do Instituto de Tecnologia de Shibaura e autor principal do estudo. “Aproveitando dois resíduos industriais, conseguimos criar um solidificador de solo que atende aos padrões do setor e contribui para mitigar os problemas causados pelos resíduos da construção e pelas emissões de carbono.”

A pesquisa destaca que há uma grande disponibilidade de SCP, já que 94,1% desse resíduo gerado na fabricação de paineis de revestimento acaba sendo descartado. Além de ser um material durável e sem cimento, o novo solidificador pode reduzir custos no ciclo de vida das construções, embora os pesquisadores ressaltem a necessidade de estudos adicionais sobre análise de custos e impacto ambiental ao longo do tempo.

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“Inovar com um solidificador geopolímero produzido a partir de resíduos facilmente acessíveis significa não apenas oferecer uma solução sustentável de engenharia, mas também repensar o valor dos subprodutos industriais em um cenário de recursos limitados”, explicou Inazumi.

Durante os experimentos, os cientistas identificaram a presença de arsênio no vidro reciclado, mas conseguiram neutralizar esse risco ambiental ao adicionar hidróxido de cálcio, que estabiliza os compostos tóxicos presentes. “A sustentabilidade deve sempre garantir a segurança ambiental”, reforçou Inazumi.

O material desenvolvido pode ser aplicado em diversas situações, como estabilização de solos em pontes, rodovias e fundações, sendo especialmente eficaz em solos argilosos. Além disso, pode ser usado para produzir blocos sólidos e duráveis, substituindo o concreto e os tijolos em construções, e é indicado para intervenções rápidas em emergências.

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“A utilização de subprodutos industriais como SCP e sílica terrestre não só reduz a emissão de carbono, mas também soluciona problemas de gerenciamento de resíduos na construção civil”, concluíram os pesquisadores. “A versatilidade e possibilidade de expansão desses materiais indicam um futuro promissor para sua aplicação em projetos geotécnicos diversos.”