O Campus Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, reconhecida como a 5ª melhor universidade de agricultura do mundo pelo US News and World Report, servirá apenas refeições sem carne no seu restaurante um dia por semana. A decisão foi anunciada na última semana e apoia a campanha internacional Segunda Sem Carne.

A instituição é a primeira universidade especializada em ciências agropecuárias no Brasil a adotar um programa de alimentação sustentável com foco na redução do consumo de proteína animal. A decisão foi inspirada pelo movimento global promovido pela HSI e diversas outras organizações, que pede que as pessoas deixem a carne fora de seus pratos um dia por semana para ajudar o meio ambiente, a saúde humana e os animais.

Paula Poeta, nutricionista do restaurante universitário da USP, disse: "Nosso campus adota uma política muito avançada no que diz respeito à sustentabilidade e ao consumo responsável. É por isso que – em parceria com o Programa USP Recicla, com o apoio da HSI e com a colaboração do Centro Acadêmico – o Serviço de Alimentação da Prefeitura do Campus lançou o projeto um Dia Sem Carne. Essa iniciativa tem como principal objetivo a redução do consumo de proteína animal. Do nosso ponto de vista, trata-se de uma campanha simples, porém muito eficaz na preservação do meio ambiente".

"A decisão do Campus da USP em Piracicaba de contribuir para um planeta mais saudável ao somente oferecer refeições sem carne um dia por semana é extremamente nobre. Diversas renomadas instituições nacionais e internacionais reconhecem a Segunda Sem Carne como uma ótima maneira de promover hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis. Esperamos trabalhar com mais universidades no Brasil nesse tipo de iniciativa", disse Fernanda Vieira, coordenadora técnica da HSI de animais de produção no Brasil.

Um número crescente de instituições – incluindo o Ministério da Saúde do Brasil e a Faculdade de Saúde Pública da USP – já reconhecem que a redução do consumo de proteína animal é necessária e beneficia os animais, o meio ambiente e a saúde humana. No ano passado, no Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde recomendou que o consumo de carne – devido ao seu favorecimento ao desenvolvimento de obesidade, problemas cardíacos e outras doenças crônicas – deve ser limitado para ajudar a saúde humana, o ambiente e os animais. Nesse mesmo relatório, o Ministério afirmou que “a opção por vários tipos de alimentos de origem vegetal e pelo limitado consumo de alimentos de origem animal implica indiretamente a opção por um sistema alimentar socialmente mais justo e menos estressante para o ambiente físico, para os animais e para a biodiversidade em geral”.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.