Deixar a cidade mais bonita pode ser muito mais simples do que parece. Exemplo disso é o trabalho realizado pela ONDA, um movimento que surgiu em Florianópolis com o intuito sensibilizar pessoas através da arte.

A ideia começou a ganhar forma em 1997 por iniciativa da artista plástica Lis Vasconcellos. A partir de então, projetos diferentes foram iniciados, entre eles o “Vamos”, que realiza intervenções artísticas em áreas degradadas em diversos bairros da capital catarinense. “Após fotografarmos um bairro inteiro, fizemos um diagnóstico do ‘abandono’ do lugar e intervimos diretamente no local”, explicou a artista.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

A principal ferramenta usada para mudar a paisagem é deixar os próprios postes nas ruas mais bonitos. Através do apoio de voluntários, o movimento cria peças em mosaicos ou pinturas e aplica nos postes de concreto. Dessa forma, o cinza ganha cor e vida e leva mais beleza às áreas degradadas. Além disso, quando o grupo chega aos lugares em que as intervenções serão realizadas também é feita uma limpeza. Os próprios voluntários varrem, retiram lixo e limpam os postes.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

Os trabalhos artísticos são feitos principalmente com materiais reaproveitados e doados. Esta é mais uma prova da importância de mobilizar a comunidade em prol da ação. “A maior parte dos materiais cerâmicos são ‘sobras’ de construção civil, espelhos de vidraçarias e material que sobra de lojas de cerâmicas e pastilhas”, explica Lis. Além disso, a coordenadora do projeto também lembra que às vezes é necessário levantar recursos com a comunidade para comprar tintas para concreto e garantir a durabilidade do trabalho.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

As peças são criadas por artistas voluntários. Materiais que iriam para o lixo são transformados em obra de arte. Um exemplo de utensílio inusitado usado nos mosaicos são os vidros de esmalte. Constantemente descartados por salões de beleza, eles ganham uma utilidade nova e uma forma totalmente diferente.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

O retorno da população é muito positivo. A artista comemora o fato de os moradores agradecerem ao grupo pelas intervenções, mas acima de tudo, por participarem, doando materiais a serem reaproveitados. Ela ainda garante que a prefeitura de Florianópolis não se opõe à iniciativa, já que o único propósito do projeto é deixar a cidade ainda mais bonita.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

A escolha dos bairros é feita através de solicitações dos próprios moradores. A partir daí, os voluntários fazem um diagnóstico do que pode ser feito, levantam os recursos e começam o trabalho. Até o momento já foram realizadas mais de cem intervenções artísticas com mosaicos, pinturas, estêncil e colagens em postes de Florianópolis.


Foto: Lis Vasconcellos/Flickr

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Por Thaís Teisen – Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.