Homenagem a Krenak leva Mocidade da Mooca ao Grupo Especial
Escola desfilará pela primeira vez no Grupo de Elite das escolas de samba paulistas
Escola desfilará pela primeira vez no Grupo de Elite das escolas de samba paulistas
“Meu povo, cadê você? Onde foi parar? O Caité, Carijó, Tupinambá. Meu sangue se faz presente. Vamos relembrar. Do Cariri, do Guarani, do potiguar”. Estes são alguns dos versos do Samba-Enredo 2025 levado pela Mocidade Unida da Mooca ao Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, que neste ano mostrou a trajetória do líder indígena, escritor, filósofo e ativista ambiental Ailton Krenak.
Com o enredo “Krenak – O presente ancestral”, a Mocidade Unida da Mooca foi a segunda a entrar na avenida no domingo (2). O homenageado desfilou no terceiro carro da escola. Ao lado dele, estandartes ecoavam frases como “Cocar é sagrado”, “Cada grafismo representa a espiritualidade de um povo”, “Índio Indígena não é fantasia” e “Demarcação já”.

Além da trajetória e de memórias de Krenak, primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), o enredo buscou enaltecer os povos indígenas como donos desta terra.
A Mocidade Unida da Mooca desfilou pelo Grupo de Acesso 1, alcançou 269,8 pontos e foi vice-campeã – o título de campeã foi para a Tom Maior com o enredo “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”. Ambas garantiram lugar no Grupo Especial em 2026.

Em 2026, a agremiação da Mooca desfilará pela primeira vez no Grupo de Elite das escolas de samba paulistas. A escola também participa no próximo sábado (8) do desfile das campeãs.

Quem perdeu o desfile, ainda pode conferir a iniciativa “Representatividade x Representação: é só uma homenagem?” realizada no Museu das Culturas Indígenas na capital paulista. A instalação fotográfica relembra desfiles com temáticas indígenas, a repercussão na imprensa e trechos de sambas-enredo no sétimo andar do museu.

A ação mostra a diferença entre representatividade e representação no Carnaval com o intuito de conscientizar e endossar a inclusão de povos originários em posições de destaques na festa tradicional brasileira, como ao ocupar espaços nos desfiles, na confecção de fantasias e na composição de músicas.

Os sambas-enredo reproduzidos na instalação abarcam os desfiles entre 1976 e 2025, com apresentações da Unidos de Padre Miguel (1976), Imperatriz Leopoldinense (1994), Unidos de Vila Isabel (2000), Gaviões da Fiel (2018), Acadêmicos do Salgueiro (2024), Mocidade Unida da Mooca (2025), entre outros.
A visita é conduzida pelos mestres de saberes, indígenas do programa educativo, que compartilharam tradições ancestrais e como as representações carnavalescas podem reforçar estereótipos racistas de “selvagem, folclórico e não pertencente à sociedade”. A ação acontece até o dia 30 de março, das 9h às 18h (às quintas, até às 20h).
Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água Branca – São Paulo/SP
Telefone: (11) 3873-1541