Um modelo para reforma educacional de baixo custo. É assim que se autointitula a Akshar Forum, uma escola em Assam, no leste da Índia, que testa métodos de ensino inovadores. Um deles foi transformar o lixo plástico doméstico em moeda de troca para os alunos estudarem, ativando o senso de responsabilidade ambiental. 

Quando se fala em geração de lixo a Índia entra sempre em destaque, afinal está entre os três países mais produtores do mundo. Inclusive, recentemente, um montanha de resíduos em um aterro de Nova Déli, na capital do país, virou notícia após chegar a 65 metros de altura. Iniciativas como a da escola da Fundação Akshar, fundada pelo casal Parmita Sarma e Mazin Mukhtar, podem ser um bom exemplo de como começar a mudar essa realidade desde a infância e, automaticamente, conscientizando também os pais. 

A escola solicita que cada criança leve ao menos 25 itens plásticos semanalmente. Com mais de 100 alunos, a instituição se mantém por meio de doações e a “taxa escolar” tem mais um caráter simbólico. 

Mas há outras ações, igualmente incríveis, que ocorrem nesta escola.

A pedagogia escolar é inspirada no Nai Talim, uma filosofia promovida por Mahatma Gandhi que afirma que o conhecimento e o trabalho não são separados. A ideia não é só aplicada na reciclagem, que mencionamos acima, mas também na educação prática que ensina os estudantes a instalarem e operarem painéis solares. Outro exemplo é o treinamento em jardinagem e carpintaria. Em parceria com outra instituição, ainda são fornecidos tablets e materiais de aprendizagem interativos para melhorar a inserção destas pessoas no mundo digital. 

Há ainda projetos onde adolescentes são empregados para coletar plástico das residências localizadas ao redor da escola. Em uma das iniciativas, em tempo parcial, os adolescentes trabalham no centro de reciclagem da escola -, que transforma resíduos plásticos em tijolos ecológicos. O projeto não emprega crianças e sim jovens, buscando combater o trabalho infantil, que empurra garotos e garotas para a vulnerabilidade social e ao abandono escolar. 

“Há muita pressão sobre os adolescentes abandonarem a escola para que possam começar a ganhar [dinheiro]. Akshar paga aos adolescentes para trabalharem meio período na escola. Aprendendo e ganhando: as famílias ficam felizes em mandá-los à escola”, afima a instituição em seu site.

Outra base interessante do ensino é a ideia de que “todo estudante é professor”. É com base nisso que alunos mais velhos são empregados pela escola para auxiliar os mais novos. Eles viram assistentes de ensino, o que beneficia os professores, os outros alunos e a eles próprios, que têm o prazer de integrar o processo de aprendizagem, além da possibilidade de desenvolver vários tipos de habilidades.