Após as despesas das comemorações de fim de ano, famílias têm recorrido a alternativas para poupar gastos na compra da lista de material escolar com troca de livros e reutilização de materiais. É o que acontece no Colégio Franciscano Pio XII, instituição de educação localizada no bairro do Morumbi, em São Paulo. Um grupo de mães apresentou à diretoria a proposta do projeto “Bibliotroca”. O Colégio abraçou a ideia e há 15 anos os alunos e pais podem efetuar a troca de uniformes e de livros.

A regra é simples e não há burocracia: o aluno que entregar livros utilizados no ano anterior que ainda estejam na lista de material atual, pode retirar outro livro durante todo o ano letivo. Há sete anos, o projeto foi ampliado para os uniformes. Com as mesmas regras usadas para os livros, os trajes podem ser trocados, peça por peça, o que proporciona ainda mais economia aos pais.

Mary Elizabeth Azevedo, coordenadora da Bibliotroca há 12 anos e mãe de uma aluna e de dois ex-alunos do Pio XII, conta que “a compra de material didático é sempre um gasto muito grande. Além disso, os livros raramente serão utilizados novamente após o ano letivo. É um investimento na educação e não na aquisição da obra em si que fazemos com a compra. Se podemos compartilhar, não há porque mantê-los ou, o que é ainda pior, jogá-los no lixo. Com a Bibliotroca, nós, pais, economizamos, e nossos filhos aprendem a dar valor ao investimento que fazemos em sua educação”.

Ainda, professores e mães voluntárias do projeto orientam alunos com dicas sobre a importância de cuidar do livro, o significado da troca e os cuidados que se deve ter para conservá-los.

Já na Escola Internacional de Alphaville (Barueri, Grande São Paulo), no mês de janeiro, os alunos podem trocar livros e reutilizar todos os materiais escolares possíveis, como pastas, lápis, tesouras e afins entre as diferentes séries. Também é realizado um bazar com doações de uniformes usados, os quais são revendidos aos pais e toda renda é revertida para ações sociais.

Economia e consciência

Além da diminuição do consumo, a iniciativa também busca levar conscientização sobre as trocas entre pares e reuso dos livros. A ideia do projeto surgiu de diferentes mães de alunos que estão acostumadas com a abertura da escola para que os familiares possam desenvolver diferentes atividades, inclusive ações sociais. Sempre que procurada, a coordenação prontamente proporciona espaço, divulgação e apoio logístico.

“Precisamos refletir criticamente sobre o impacto de atitudes como indiferença com o outro ou com o mundo a nossa volta. Estes questionamentos, assim como vivências, são frequentemente o foco e o direcionamento do nosso Programa de Convivência Ética em todas as séries, criando oportunidades para construir uma cultura voltada para o bem-estar de todos”, explica Juliana Ragusa, coordenadora de tecnologia educacional da instituição.

O engajamento dos familiares com a comunidade escolar em ações como a organização do bazar de uniformes ou de troca de livros contribui para transmitir aos filhos, na prática, o alinhamento de valores entre a família e a escola.