Festivais artísticos e mudanças climáticas no Brasil
Os festivais podem ser catalisadores das mudanças que o mundo precisa – visão que ganha importância no contexto da COP 30
Os festivais podem ser catalisadores das mudanças que o mundo precisa – visão que ganha importância no contexto da COP 30
A crescente preocupação com as mudanças climáticas exige uma resposta eficaz e colaborativa, que ultrapasse fronteiras geográficas e setoriais. Nesse cenário, o setor cultural, que muitos ainda enxergam apenas como um campo de expressão artística, deixa ainda mais claro para a sociedade o seu papel crucial como motor de transformação social e ambiental.
A menos de um ano da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança no Clima), a ser realizada de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém, no Pará, o Brasil tem no setor cultural um importante catalisador para a construção de um futuro mais sustentável, conectando pessoas, culturas e ações em torno da preservação do nosso planeta.
A COP 30, evento internacional que reunirá representantes de diversos países, tem um papel essencial na definição dos rumos da luta contra o aquecimento global. O Brasil enfrentará o desafio de criar consensos entre países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico, inclusive aqueles cujas políticas climáticas estão aquém das necessidades urgentes de combate às mudanças climáticas.

Em nome de uma causa tão importante e para ampliar o seu poder de influência como autoridade global no setor ambiental, o Brasil pode e deve se valer de todas as ferramentas disponíveis para contribuir positivamente com a questão do clima. Visando obter o impacto transformador para reduzir emissões de poluentes e conservar o meio ambiente, o mundo precisa ceder espaço para a integração da sustentabilidade com diferentes setores – e com a cultura, não é diferente.
Para eliminar barreiras que dificultam um acordo internacional capaz de mitigar o aquecimento global, a COP 30 precisa ser vista como uma oportunidade estratégica de evidenciar como cultura e sustentabilidade se complementam para chamar a atenção do planeta para soluções ambientais urgentes e inovadoras.
Os festivais artísticos, com sua grande capacidade de mobilização social e engajamento de público, são espaços ideais para disseminar práticas sustentáveis e promover discussões sobre as mudanças climáticas. Muito além de proporcionar entretenimento, os festivais também podem ser plataformas poderosas de educação ambiental e de promoção de atitudes mais responsáveis e sustentáveis.

O British Council, como parte de sua missão de promover a cultura, a educação e o entendimento global, tem trabalhado ativamente para integrar a sustentabilidade ao setor cultural. Um dos exemplos mais notáveis é o programa Cultura Circular, que busca apoiar festivais na adoção de práticas ambientalmente responsáveis, ao mesmo tempo em que fortalece as conexões culturais entre o Reino Unido e países das Américas, incluindo o Brasil.
Isso acontece por meio de subsídios financeiros, treinamentos e oportunidades de colaboração entre artistas britânicos e latino-americanos. Um dos principais resultados obtidos por meio dessa iniciativa foi a criação de uma rede de mais de 100 festivais comprometidos com práticas sustentáveis na América Latina e no Caribe.
Desde o seu lançamento, em 2021, o programa tem sido altamente eficaz em capacitar organizadores de festivais a adotarem práticas mais verdes, como a gestão de resíduos, a eficiência energética e a conscientização ambiental junto ao público. Uma nova edição acabou de ser lançada em fevereiro de 2025.
Organizações culturais interessadas podem acessar esse link até 30 de março para inscreverem seus eventos e se candidatarem para que seus projetos sejam contemplados com investimento do British Council.
A participação brasileira em iniciativas de fomento a práticas ambientais tem aumentado de forma significativa ao longo dos anos. De 2023 a 2024, o Brasil, junto com outros países da América Latina, viu um aumento de 7,8% no número de festivais que se inscreveram para postular um apoio do programa Cultura Circular. Enquanto o fortalecimento da agenda de sustentabilidade no setor cultural é certamente uma boa notícia, uma pesquisa realizada pela Julie’s Bicycle aponta para um desafio que ainda persiste no segmento: 50% dos organizadores de festivais apontam a falta de conhecimento sobre como abordar a ação climática em diferentes áreas como um obstáculo para implementar iniciativas ambientais.
Foi nesse contexto que esse mesmo grupo destacou a importância do financiamento e de dar apoio logístico para adotar práticas sustentáveis, como a redução do desperdício, o uso de materiais recicláveis e a redução da pegada de carbono dos eventos. Além disso, ações de fomento a práticas sustentáveis tem ajudado a diversificar o público dos festivais, atraindo novas gerações e ampliando a conscientização sobre a necessidade urgente de se adotar soluções ambientais em todas as áreas da sociedade.

Com a realização da COP 30 em Belém, o Brasil tem uma oportunidade única de posicionar o setor cultural como um líder na transição para um futuro mais sustentável. Uma mensagem muito clara pode ser transmitida no contexto do evento global: festivais podem desempenhar um papel fundamental na criação de uma economia verde, ao mesmo tempo em que promovem a troca de conhecimentos e práticas que transcendem fronteiras.
Além disso, a crescente conscientização sobre os impactos ambientais das atividades culturais pode levar a uma transformação ainda mais profunda no setor. Festivais que integram a sustentabilidade em sua essência não apenas contribuem para a preservação do meio ambiente, mas também geram um legado cultural que sensibiliza as futuras gerações para a importância de cuidar do nosso planeta.
O Cultura Circular, como uma colaboração entre o Brasil e o Reino Unido, é um modelo de como a cultura e a sustentabilidade caminham juntas para enfrentar os desafios climáticos globais. Ao se engajar com questões climáticas por meio de sua produção cultural, o Brasil pode se tornar um exemplo inspirador para o mundo todo, mostrando que a arte e a cultura protagonizam a construção de um futuro mais sustentável.

Este conteúdo foi enviado por Rafael Ferraz, Head de Artes do British Council Brasil. O British Council é a organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais. A organização trabalha para promovemos paz e prosperidade ao construir conexões, entendimento e confiança entre pessoas no Reino Unido e em países ao redor do mundo. Atualmente trabalha com pessoas em mais de 200 países e territórios e está presentes em mais de 100 países.
O British Council convida gestores de festivais no Brasil a se inscreverem para o edital do Cultura Circular 2025 e fazerem parte de uma rede crescente de eventos comprometidos com a sustentabilidade e o intercâmbio cultural.