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Aruanas traz ativismo ambiental e alertas sobre Amazônia para TV aberta

Depois da repercussão do lançamento da série em 2019, autores acreditam que a obra pode envolver e mobilizar um número cada vez maior de pessoas

Para os autores de Aruanas, Estela Renner e o Marcos Nisti, a ficção é uma ferramenta poderosa que pode trazer o ativismo para a vida das pessoas. Segundo eles, a mobilização e o envolvimento provocados podem ser até maiores do que as reações provocadas por documentários, gênero no qual os dois tem uma história consistente.

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“Poderíamos até criar um novo gênero de ficção, além de comédia, drama, romance, teríamos o ativismo”, propõe Estela. “Já existiam muitos documentários incríveis falando sobre o tema e tínhamos que furar algumas bolhas. Por que não fazer uma série que conte os dramas de ativistas dentro de uma ONG Ambiental? Por que não fazer isso através de protagonistas femininas? Essa foi a grande semente de Aruanas”, destacou Estela Renner.

Ela e Marcos participaram de um bate-papo com jornalistas no dia 24 de abril, Dia da Terra, sobre a estreia da série Aruanas na TV aberta.

“A gente sonhou com esse momento. Muitas pessoas vão poder simpatizar com estes ativistas. Com a ficção essa mensagem entra por um lado que envolve o coração, um convencimento mais profundo das pessoas. Nosso sonho sempre foi que o assunto do meio ambiente fosse tratado nas mesas de jantar das famílias”, afirma Marcos Nisti.

Ampliando o alcance

Os autores Estela Renner e o Marcos Nisti.
Foto: Divulgacão

A série começou a ser escrita em 2010, foi lançada pela Globoplay em 2019, e chega à TV aberta em 2020 – uma década depois de começar a ser criada, mas em um momento em que os temas presentes na trama são urgentes. A estreia acontece nesta terça-feira, dia 28 de abril, após a novela Fina Estampa. Serão exibidos os 10 episódios da primeira temporada – a segunda temporada já está sendo gravada.

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A série é uma coprodução da Globo com a Maria Farinha Filmes e contou com o apoio de algumas das maiores e mais importantes organizações sociais de direitos humanos e ambientais do mundo, como Anistia Internacional, WWF-Brazil, Global Witness, UM Environment, UN Women, Open Society Foundations, Instituto Betty & Jacob Lafer, Rainforest Foundation, 350.org, Instituto Socioambiental, IPAM, SOS Mata Atlântica, IMAZON, Conectas, Justiça Global, ISER, Greenfaith e APIB.

Thriller ambiental com inspiração real

Aruanas conta a história de quatro mulheres, integrantes de uma ONG, que arriscam suas vidas ao investigar crimes ambientais na Amazônia. É uma série de ficção livremente inspirada em fatos reais. As ativistas Luiza (Leandra Leal), Natalie (Débora Falabella), Verônica (Taís Araújo) e Clara (Thainá Duarte) precisam desvendar uma teia de segredos enquanto lidam com seus dramas pessoais. No elenco estão ainda nomes como Camila Pitanga e Luiz Carlos Vasconcelos.

Foto: Divulgação

Para compor as personagens, a pesquisa foi intensa e o trabalho de muitos ativistas ambientais foi estudado e debatido por autores e elenco. “Desde 2010 falamos com mais de 50 ativistas de muitas organizações. E a gente viu quanto drama, quanta luta, batalha, desapego um ativista tem que ter. Existem muitas Aruanas, muitas sentinelas da natureza por aí”, ressalta Estela.

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O diretor artístico Carlos Manga Jr. conta que um dos maiores desafios para a realização da série foi tentar ser fiel ao falar de pessoas reais que arriscam a vida pela preservação do planeta. “Eu acho extremamente necessário que a gente use a dramaturgia para abordar temas pungentes, que falam diretamente com a nossa sobrevivência”, completa ele.

Depoimentos inspiradores

Acompanhando a exibição dos episódios na TV, semanalmente, depoimentos inspiradores de ativistas da vida real serão publicados nas redes sociais da Globo, como parte da plataforma ‘REP – Repercutindo Histórias’.

A cada semana, o público terá oportunidade de conhecer a trajetória de um personagem e seu envolvimento com temas alinhados com os apresentados na série, como meio ambiente e direitos humanos.

“Por trás de trazer drama, entretenimento e uma grande obra de ficção, a gente tem um desejo profundo de fazer com que essa série inspire cada um de nós a fazer um gesto ativista. A gente tem uma certa urgência em deixar de aquecer o planeta”, conta Estela Renner.

Repercussão nacional e internacional

Quando foi lançada em 2019, a série chegou a 150 países, e chamou a atenção de representantes de organizações internacionais que são referência em Meio Ambiente e Direitos Humanos.

O primeiro episódio foi exibido em uma sessão especial para 120 ativistas ambientais de diversos países, em um cinema em Londres. “Estavam lá 120 ativistas. Eram 30 organizações que apoiaram a distribuição da série no mundo inteiro. Primeira exibição pública da série. Quando acabou a exibição, eles começaram a aplaudir e falaram que se viram na Luiza, naqueles personagens, isso foi um dos momentos mais mágicos da minha vida. A gente conseguiu chegar onde queria chegar. Queríamos muito acertar com essas pessoas”, conta Marcos.

Para Estela, a decisão da emissora em gravar uma segunda temporada mostra que o objetivo trazer a causa ambiental para a ficção, como um “novo gênero” capaz de gerar emocionar, criar envolvimento real e gerar mobilização vem sendo cumprido.  “Por que não criar uma série ativista? Trazer os heróis do cotidiano… Trazer inspiração, luz no lugar do medo, abundância no lugar da escuridão”, conta a autora, emocionada.