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Mês das Empresas B: lideranças femininas e negócios de impacto

Em março, o Sistema B aponta para negócios de impacto positivo e o Dia da Mulher para a luta por equidade: causas que caminham juntas

lideranças femininas
Jéssica Silva, co-CEO do Sistema B Brasil, durante painel na COP30. Crédito: Divulgação

Março é um mês simbólico para quem acredita que empresas podem, e devem, ser parte ativa da resposta aos grandes desafios sociais e ambientais do nosso tempo. Celebramos globalmente o Mês das Empresas B, marco de um movimento que reúne organizações comprometidas com altos padrões de desempenho socioambiental, transparência e responsabilidade. Mas março também nos convida a olhar para a realidade sem romantizar os avanços. O Dia Internacional das Mulheres não é apenas uma data comemorativa: é um lembrete das lutas históricas que tornaram possíveis conquistas importantes e, sobretudo, dos desafios profundos que ainda persistem.

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Em um cenário de desigualdades estruturais e retrocessos em diferentes partes do mundo, a data nos convoca a reconhecer o quanto ainda precisamos avançar e a renovar compromissos concretos com a equidade de gênero.

A interseção dessas agendas nos lembra que falar sobre um novo modelo de negócios implica, necessariamente, falar sobre quem ocupa os espaços de decisão, discutir o poder e quem o representa. Garantir a capacidade de liderar transformações estruturais demanda pluralidade de representação. É preciso reconhecer que a transição para uma economia mais justa e equitativa passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento da liderança feminina.

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O movimento global de Empresas B, articulado em nosso país pelo Sistema B Brasil, nasceu da convicção de que é possível alinhar lucro e propósito. Mais do que uma certificação, trata-se de um compromisso contínuo com a geração de impacto positivo em sete áreas-chave que envolvem temas sociais, ambientais e de governança. Hoje, mais de 10 mil empresas ao redor do mundo assumem essa responsabilidade, formando uma rede que demonstra, na prática, que outro modelo empresarial é viável.

Marcella Zambardino positiv.a
Marcella Zambardino, fundadora da positiv.a, Empresa B. Foto: Divulgação

No Brasil, essa agenda ganha contornos ainda mais urgentes. Vivemos em um país marcado por profundas desigualdades sociais, de gênero e de raça. As mulheres seguem sub-representadas em cargos de liderança, enfrentam barreiras estruturais ao empreendedorismo e acumulam responsabilidades de cuidado que impactam diretamente suas trajetórias profissionais.

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Quando olhamos para o recorte racial, o desafio se aprofunda: as mulheres negras estão na base da pirâmide socioeconômica do país e, ao mesmo tempo, sustentam milhões de famílias brasileiras, muitas vezes como principais provedoras. Ainda assim, são as que enfrentam maiores obstáculos de acesso a oportunidades, crédito, redes e espaços de decisão. Ao mesmo tempo, vemos emergir uma geração potente de lideranças femininas, especialmente negras, que vêm redefinindo a forma como os negócios são conduzidos, trazendo novas perspectivas de impacto, inclusão e transformação para a economia.

É nesse contexto que o Mês das Empresas B se torna um convite à reflexão: que tipo de liderança queremos fomentar? Que cultura organizacional estamos construindo? E como as mulheres podem, e já estão, protagonizando essa mudança?

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Co-CEOs do Sistema B Brasil durante o encontro Desenhando 2030. Foto: Aislan de Paula | Sistema B Brasil

Liderança com propósito: quando o impacto é estratégia

Empresas B lideradas por mulheres têm demonstrado que colocar o impacto no centro da estratégia é uma decisão de negócio consistente e transformadora.

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  • A Raízes Desenvolvimento Sustentável, fundada e liderada por mulheres, conecta propósito, território e protagonismo feminino. Trabalha com turismo de base comunitária e capacitação de mulheres empreendedoras, impulsionando o desenvolvimento local aliado à conservação.
  • A Think Eva, consultoria para equidade de gênero que cria soluções para empresas e impacto positivo para mulheres, tem sido pioneira nas transformações de gênero dentro do mundo corporativo.
  • A IMPT! é uma marca de lifestyle nascida na Zona Norte do Rio de Janeiro, que surgiu com o propósito de promover o poder transformador de quem não se conforma com barreiras limitantes. Desde o início, estruturou-se como negócio de impacto, destinando parte da receita a artistas e projetos criativos locais.
  • A Tucum comercializa arte indígena feitas à mão com história, beleza e propósito. O negócio, fundado e 100% comandado por mulheres, tem como missão, diminuir o abismo entre a potência e a riqueza dos povos originários.
  • A LAGAR H, outro exemplo de negócio com liderança feminina, produz azeite extravirgem 100% brasileiro. Ao priorizar um processo de produção cuidadoso, consciente e responsável, a empresa olha para remuneração justa, condições adequadas de trabalho, maquinário apropriado e tem política de tolerância zero para assédio e qualquer tipo de violência.
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Tucum Brasil vende produtos e capacita comunidades indígenas do Brasil. Foto: Divulgação | Tucum Brasil

Esses casos ilustram uma tendência maior: mulheres em posições de decisão frequentemente ampliam o olhar sobre riscos e oportunidades, incorporando perspectivas sociais e ambientais de forma estruturada. Não se trata de uma característica essencialista, mas de trajetórias marcadas por vivências diversas, que influenciam a forma de liderar e de construir soluções.

O impacto da equidade na performance

Um levantamento divulgado pela  Diversitera, empresa especializada em promover diversidade, equidade e inclusão (DEI) dentro das organizações, mostra que mulheres ocupam apenas 35% dos cargos de alta liderança no Brasil. Já um levantamento feito pela Rede Globo, baseado em dados do IBGE,  aponta que mais de 41 milhões de domicílios brasileiros têm mulheres como principais provedoras. Em comum, as pesquisas refletem realidades como sobrecarga e renda inferior.

É importante também reconhecer que diversidade não se resume a gênero. Precisamos avançar na inclusão de mulheres negras, indígenas, periféricas, LGBTQIAPN+ e de diferentes regiões do país. A transformação sistêmica que defendemos exige interseccionalidade e compromisso real com justiça social.

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No entanto, a responsabilidade pela equidade não pode recair exclusivamente sobre as mulheres. Avançar nessa agenda exige um compromisso ativo de toda a sociedade e, de forma especial, dos homens que ocupam posições de liderança e poder dentro das organizações. São esses espaços de decisão que moldam culturas corporativas, definem prioridades e abrem ou fecham portas para transformações reais. Por isso é fundamental que líderes homens se posicionem, assumam corresponsabilidade e atuem de forma concreta na construção de ambientes mais justos, diversos e inclusivos.

O Mês das Empresas B surge como um momento estratégico para aprofundar essa reflexão dentro das organizações, revisitar práticas, reconhecer onde ainda existem barreiras estruturais e estabelecer metas claras e mensuráveis que acelerem o avanço da equidade.

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Foto: Simp1e123 por Pixabay

A transformação que buscamos é coletiva. Ela depende de conselhos de administração comprometidos, investidores atentos a critérios ESG, consumidores conscientes e políticas públicas que incentivem modelos empresariais responsáveis.

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Como co-CEO do Sistema B Brasil, acompanho de perto a evolução do ecossistema de impacto no país. Vejo empresas tradicionais repensando suas estratégias e startups nascendo já orientadas por propósito. Vejo lideranças femininas ocupando espaços antes inacessíveis e abrindo caminho para outras.

O nosso papel é fortalecer essa rede, oferecer ferramentas de avaliação e melhoria contínua e estimular a colaboração entre empresas. O Movimento B é sobre construir coletivamente um novo padrão de negócios.

Celebrar o Mês das Empresas B e o Dia Internacional das Mulheres no mesmo período reforça uma mensagem essencial: não há futuro sustentável sem equidade de gênero. Não há inovação verdadeira sem diversidade. Não há impacto positivo consistente sem liderança comprometida.

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Artigo enviado por Jessica Silva, Co-CEO do Sistema B Brasil

Jessica Silva
Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.