Felicidade e pertencimento para regenerar territórios
Caio Queiroz, CEO da Aguama Ambiental, fala da experiência de colocar as pessoas no centro do desenvolvimento sustentável
Caio Queiroz, CEO da Aguama Ambiental, fala da experiência de colocar as pessoas no centro do desenvolvimento sustentável
Durante uma série de viagens a destinos turísticos brasileiros, percebi um paradoxo: o crescimento econômico impulsionado pelo turismo não era acompanhado de desenvolvimento sustentável. Pelo contrário, em locais como Fernando de Noronha, o turismo começava a comprometer a integridade ambiental da região. A partir dessa constatação, decidi direcionar meu trabalho para reverter esse cenário, unindo conhecimento técnico com articulação entre poder público, setor privado e sociedade civil.
Para ajudar a transformar essa realidade, percebi que era essencial construir uma rede sólida de articulações. Estabelecemos parcerias com prefeituras e instituições como a ONU, Sebrae, Fecomércio, além de iniciativas como o Somos Um Ceará e o Menos Um Lixo. Essas conexões foram fundamentais para estruturar projetos robustos, com participação de associações, empresas e profissionais especializados — cada um contribuindo com seu know-how para gerar impacto positivo real nos territórios.
Mas, para além da atuação técnica e institucional, é indispensável envolver toda a sociedade. Isso porque a sustentabilidade só ganha força quando é compreendida por todos: turistas, empresários, moradores e o próprio poder público. O desafio está em ir além— é preciso despertar o interesse de quem ainda não está sensibilizado para o tema, mostrando como o cuidado com o território pode gerar bem-estar, prosperidade e pertencimento.

Ver, hoje, regiões antes fragilizadas alcançando um novo equilíbrio ambiental e social é uma das maiores recompensas. A satisfação é coletiva — e o impacto, visível: comunidades mais engajadas, territórios mais protegidos e um sentimento de felicidade que se estende do indivíduo ao coletivo. Quando a sustentabilidade passa a fazer parte da rotina de um lugar, ela transforma não apenas o meio ambiente, mas a forma como as pessoas se relacionam com ele — e entre si.
O papel da sustentabilidade é justamente revelar o valor de cada território e reforçar a importância do cuidado com o meio ambiente local — seja em Fernando de Noronha, Jericoacoara e Preá, no Ceará. Quando o turismo é pensado de forma consciente e integrada, se torna uma ferramenta poderosa de transformação. Ao equilibrar preservação ambiental, desenvolvimento econômico e bem-estar social, conseguimos construir uma sociedade mais justa, saudável e verdadeiramente sustentável — em nível individual e coletivo.

Com esta certeza, iniciamos em Fernando de Noronha uma iniciativa inédita: após meses de conversas, visitas e trocas de informações, o Índice de Felicidade Interna Bruta (FIB) chega ao Brasil, por meio de um acordo selado recentemente entre a Aguama Ambiental, empresa brasileira especializada em sustentabilidade e turismo regenerativo, e o governo do Butão. O arquipélago de Fernando de Noronha, pertencente a Pernambuco, será o primeiro território do país a aplicar oficialmente a metodologia. Essa conquista se tornou possível graças à parceria com Renata Rocha, Fundadora da YOUniversality, plataforma que há mais de dez anos promove jornadas de conhecimento entre o Brasil e o Butão.
Desde 2017, atuamos em Fernando de Noronha com um propósito claro: preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida de quem vive e visita esse lugar único. Foram anos de campanhas educativas, reflorestamento, gestão de resíduos, fomento à coleta seletiva e tantas outras ações que deixaram um legado positivo para a comunidade e para a natureza.
Agora, damos um passo ainda mais profundo com a implementação do Índice de Felicidade, inspirado no Butão. Esse indicador nos permite medir não apenas resultados ambientais, mas também sentimentos, percepções e bem-estar. Ele traduz em números e histórias humanas o impacto das nossas ações e nos orienta para criar projetos ainda mais transformadores.

Um lugar só se reconstrói quando quem vive nele se sente parte — valorizado, ouvido e engajado e a regeneração cria oportunidades de promover qualidade de vida na região. Além disso, quando políticas públicas, iniciativas privadas e comunidades locais se unem com propósito, é possível transformar a realidade, reforçar as identidades daquele povo e, ao mesmo tempo, construir comunidades mais felizes. A sustentabilidade, nesse contexto, é o caminho — e a felicidade, o resultado coletivo.
Mais do que um indicador, o Índice de Felicidade Interna Bruta é uma bússola que mostra que sustentabilidade e felicidade caminham juntas. Noronha, mais uma vez, se torna inspiração para o Brasil e para o mundo: um território onde preservar a natureza é também cuidar da alma e do futuro das pessoas.
