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Em escolas, refeições têm melhor custo-benefício do que lanches

Refeições mostram melhor custo-benefício ao aliar nutrição e economia nas escolas públicas de Santa Catarina

escolas fechadas
Foto: Pedro Godoy | ExLibis | PMI-secom

O tradicional prato de arroz com feijão apresenta melhor custo-benefício na alimentação escolar do que os lanches servidos em escolas públicas de um município catarinense. É o que aponta um artigo assinado por pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista Cadernos de Saúde Pública. Os resultados apontam caminhos para aprimorar o uso de recursos públicos voltados ao enfrentamento da fome e da insegurança alimentar.

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O estudo examinou 191 dias de cardápios escolares ao longo do ano letivo de 2021 em escolas públicas do Morro da Fumaça (SC), com o objetivo de comparar a oferta de refeições e lanches a partir da relação entre custo e benefício nutricional. Foram classificados como lanches os cardápios cuja principal fonte de carboidrato era pão, bolo, bolacha ou rosca, geralmente acompanhados de café, leite ou suco integral e uma porção de fruta. Já as refeições, envolviam preparações mais complexas, com cozimento e maior tempo de preparo — como arroz, feijão, macarrão e carnes — acompanhadas de saladas e frutas servidas como sobremesa.

arroz e feijão
Foto: Daniel Dan outsideclick por Pixabay

Para medir o desempenho de cada tipo de oferta, os pesquisadores utilizaram a razão custo-efetividade, que relaciona o valor gasto em cada dia de alimentação — conforme as Autorizações de Fornecimento da Prefeitura Municipal — aos benefícios nutricionais estimados pelo Índice de Qualidade da Refeição (IQR). O indicador foi adaptado para representar 20% das necessidades nutricionais diárias dos estudantes.

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De maneira geral, os lanches custaram mais — algo já esperado pela equipe, uma vez que eram adquiridos prontos de fornecedores externos —, mas surpreenderam ao atingir pontuações mais altas no IQR. “Uma das explicações que encontramos para isso é que os lanches desse cardápio específico eram bastante variados e compostos por alimentos de boa qualidade, como sanduíches de carne/frango com salada, leite com cacau/café, suco integral sem açúcar, produtos da agroindústria familiar da região e boa oferta de frutas”, explica Daniele Botelho Vinholes, pesquisadora da UFCSPA e uma das autoras do artigo.

Ainda assim, o ponto mais relevante do estudo foi a eficiência econômica: as refeições apresentaram mediana de custo-efetividade superior à dos lanches — ou seja, proporcionam maior qualidade nutricional por real investido. Os lanches continham mais carboidratos, gorduras, fibras, ferro, vitamina C, gorduras saturadas e açúcares adicionados. Já as refeições se destacaram por serem mais ricas em proteínas e gorduras insaturadas, embora apresentassem níveis mais altos de sódio e colesterol. No caso das refeições, os cardápios com melhor qualidade nutricional também se mostraram mais onerosos.

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Vinholes ressalta, porém, que a análise deve ser interpretada com cautela. “Visto que no cálculo dos custos foram considerados somente os gastos com os insumos alimentares, em uma análise mais complexa, que considerasse os custos com mão de obra, gás, luz, água e demais gastos envolvidos, os resultados encontrados poderiam ser diferentes.” Mesmo assim, segundo a pesquisadora, a aplicação de métodos de custo-efetividade pode ajudar gestores de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) a escolher quais refeições incluir no cardápio e a compreender o impacto dessas escolhas sobre o orçamento. “Em compras públicas, essa análise deveria ser primordial”, conclui.

Fonte: Agência Bori

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