Entre caminhos e propósitos: a jornada até o Terceiro Setor
Luciana Kamimura descobriu cedo que nem sempre “querer é poder”. No terceiro setor, aprendeu a transformar vidas e conta como isso acontece
Luciana Kamimura descobriu cedo que nem sempre “querer é poder”. No terceiro setor, aprendeu a transformar vidas e conta como isso acontece
Ser frequentemente questionada sobre porque escolhi atuar no Terceiro Setor me fez revisitar minha própria história, e é com esse olhar que inauguro este espaço. Antes de falar sobre o trabalho que hoje me move, é justo me apresentar e contar um pouco do caminho que me trouxe até aqui.
Nasci e cresci na periferia da Zona Leste de São Paulo e, mais tarde, no ABC Paulista. Desde cedo aprendi que “querer” nem sempre era “poder” e que, para conquistar algo, seria preciso esforço redobrado. Meus pais, com muita coragem, fizeram o que foi necessário para garantir um futuro melhor: migramos para o Japão em busca de novas oportunidades.
Foi lá que aprendi o valor da educação e entendi que conhecimento é a chave para quebrar ciclos de desigualdade. Viver fora do país me ensinou resiliência e adaptabilidade, habilidades essenciais quando voltei definitivamente ao Brasil e precisei me reinventar profissionalmente.

Trabalhei 13 anos em uma multinacional do setor automobilístico, passando por áreas como administração, compras e melhoria de fornecedores. Até que, pouco antes da pandemia, recebi um convite transformador: atuar na fundação da empresa, com foco em projetos socioambientais e governança estratégica.
Foram quatro anos intensos, coordenando iniciativas de sustentabilidade, economia criativa e empreendedorismo social. Foi nesse período que compreendi meu verdadeiro propósito: usar minha trajetória e aprendizados para gerar impacto positivo. Entre tantos projetos, lembro com carinho do apoio à conservação da Arara-Azul, realizado em parceria com o Instituto Arara-Azul, da bióloga Neiva Guedes, um trabalho fundamental para recuperar uma espécie antes ameaçada de extinção.

Para contextualizar, o Primeiro Setor é o Estado, responsável por políticas públicas; o Segundo Setor é o mercado, movido pelo lucro; e o Terceiro Setor reúne organizações da sociedade civil sem fins lucrativos que atuam de forma independente, porém complementar, na promoção do bem comum, unindo propósito social, inovação e gestão.
Segundo o Mapa das OSCs (FIPE/Sitawi, 2023), o Terceiro Setor representa 4,27% do PIB brasileiro, movimentando cerca de R$ 423 bilhões e gerando 4,7 milhões de empregos. Ainda assim, muitos profissionais do setor relatam dificuldades crescentes para captar recursos, uma contradição, considerando o avanço das práticas ESG no setor privado.
Acredito que instituições sem fins lucrativos são parceiras estratégicas das empresas que buscam gerar impacto social genuíno. Elas conhecem as comunidades, operam com eficiência e carregam inovação social em sua essência.
Por que reinventar a roda, quando há projetos sólidos e transformadores já em curso?

Desde o fim de 2024, assumi o desafio de estruturar o Instituto Cury, inaugurado em fevereiro de 2025, com a missão de promover educação profissional, inclusão socioprodutiva e desenvolvimento esportivo nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Em apenas oito meses, já temos cinco projetos em andamento:
Cada projeto é uma semente de transformação plantada em solo fértil, a realidade de quem busca dignidade por meio do trabalho e da educação.
Que esta coluna seja um espaço para dialogar sobre o potencial do Terceiro Setor, para inspirar parcerias, fortalecer iniciativas e conectar pessoas que acreditam em um desenvolvimento mais justo, humano e sustentável.
O impacto começa quando alguém decide agir.
E eu convido você a seguir comigo nessa jornada.
Vou compartilhar por aqui histórias, aprendizados e informações.
Vamos juntos?
