No último domingo (7), alguns trechos da ciclofaixa de Recife passaram a ser usados não só por quem anda de bike, mas também por skatistas e patinadores. O compartilhamento da via, que garante espaço para modais de propulsão, ainda divide opiniões e gera polêmicas entre ciclistas.

Quem anda de skate e de patins na capital pernambucana não podia se locomover na ciclofaixa móvel desde sua recente inauguração, no fim do mês passado. No entanto, a faixa para ciclistas passou a ser compartilhada com skates e patins a partir deste domingo, ainda que apenas alguns trechos tenham sido liberados.

Os skatistas e patinadores têm sinal verde na ciclofaixa móvel, na Avenida Marquês de Olinda, no bairro do Recife, e na rua Dona Ana Xavier, em Casa Amarela, zona norte da cidade. Além dos trechos liberados, as autoridades responsáveis da capital pernambucana realizam visitas técnicas em pistas para a prática de manobras de skate e patins, como maneira de incentivar o uso dos modais de propulsão nestes locais.

Nem todos os ciclistas parecem aderir ao compartilhamento das vias com os usuários de skate e patins. “Se colocar skates na Ciclofaixa, será mais seguro pedalar na rua, fora dela. Acho que isso não dará certo. Skate não é, e nunca foi solução para mobilidade, ao contrário da bicicleta”, argumenta Burno Bellantuono, em comentário na fanpage da CicloFaixaSP.

O secretário de Turismo e Lazer, Felipe Carreras, que considera a bike e os demais modais como “práticas esportivas”, anunciou que serão tomadas medidas para garantir a segurança dos usuários da ciclofaixa móvel. “Os agentes da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) estarão preparados para garantir a prática esportiva de todos, sejam usuários de bike, skate ou patins. Eles também vão acompanhar as vias que serão fechadas. Vamos trabalhar também em ações educativas e na criação de outros espaços para essas modalidades específicas”, declarou Carreras ao Jornal do Commercio.

Se, de um lado, a decisão desagrada a alguns ciclistas, de outro, a via torna-se acessível para mais modalidades de transporte e lazer. Marcelo Lira, que usa modais de propulsão na ciclofaixa da capital pernambucana, mostrou-se otimista com a liberação da via. “Temos consciência de que não podemos fazer manobras na ciclofaixa móvel e que devemos fluir com o trânsito das bicicletas, para não atrapalhar a prática dos ciclistas. No entanto, a Constituição Federal de 1988 garante a utilização das vias públicas para qualquer veículo com duas ou mais rodas, por isso é preciso investir mais em ações educativas sobre os direitos e deveres dos praticantes de skate e patins”, alerta Lira ao jornal recifense. Com informações do Jornal do Commercio.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.