A Avenida Paulista foi novamente o palco de um acidente envolvendo motorista e ciclista. Na manhã do último domingo (10) o estudante Alex Siwek, de 22 anos, atropelou o ciclista David Santos de Souza (21), que teve o braço decepado na colisão.

O atropelamento aconteceu às 5h30 da manhã, enquanto a ciclofaixa de lazer ainda não estava funcionando. Após atingir o ciclista, Alex Siwek fugiu sem prestar socorro e ao perceber que o acidente havia decepado o braço do ciclista e que o membro permanecia em seu carro, ele simplesmente se encarregou de descartá-lo em um córrego na região do Ipiranga.

Horas após o fato, o motorista se dirigiu a uma delegacia de polícia no bairro da Saúde e assumiu a autoria do crime. O acidente gerou revolta, comoção e grande mobilização por parte da comunidade de ciclistas, que se uniu em protestos e se organizou para acompanhar de perto todo o processo envolvendo o motorista, indiciado por quatro crimes: tentativa de homicídio doloso (quando há a intenção de matar), omissão de socorro, embriaguez ao volante e fraude processual, por ter se desfeito do braço da vítima.

Além de permanecerem em frente à delegacia enquanto as testemunhas, famílias e pessoas envolvidas no caso prestavam depoimentos, os ciclistas organizaram um protesto, conhecido como “Die-in”, em que um grupo de ciclistas deita na rua, parando o trânsito, para relembrar a situação das vítimas.

O ciclista David Santos de Souza foi internado no Hospital das Clínicas, onde passou por um procedimento cirúrgico e segue em estado estável. O braço amputado no atropelamento não pôde ser reimplantado. De acordo com especialistas, se o membro tivesse sido preservado, ao invés de descartado no rio, ele poderia voltar a ser útil.

Esta é mais uma oportunidade para que a questão do compartilhamento das vias, da segurança e do respeito volte à pauta das autoridades brasileiras. Este atropelamento demonstra os perigos da embriaguez ao volante e traz à tona a desvalorização da vida. “Essa tragédia é superlativo do que acontece todos os dias com os ciclistas. Isso não é acidente. Do que sabemos, o motorista foi visto em zigue-zague na Avenida Paulista. Que tipo de cidadão é esse que arranca um braço, não presta socorro e percorre sete quilômetros com o braço dentro do carro?”, questionou a cicloativista e bike-repórter, Renata Falzoni.

Na noite anterior ao atropelamento, ciclistas de São Paulo percorreram a região da Av. Paulista em uma “pedalada, pelada”, como forma de protesto e busca por mais espaço e respeito nas ruas.

Ajuda à vítima

Em solidariedade ao ciclista atropelado, grupos estão se organizando em eventos através do Facebook para incentivar a doação de sangue. Qualquer pessoa apta a doar sangue pode participar do ato, dirigindo-se ao hemocentro do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e doando em nome de David Santos de Souza.

Por Thaís Teisen – Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.