O prefeito Sadiq Khan e a Transport for London (TfL) querem transformar partes do centro de Londres na maior “zona livre de carros” do mundo. Anunciado na última sexta-feira (15), o plano será implementado à medida que o lockdown é flexibilizado.

Na quarta-feira (13), começaram a ser relaxadas as restrições em toda a Inglaterra. Em Londres, capital do país, estímulo ao distanciamento social se dará pelo incentivo às caminhadas e ao uso de transporte alternativo, como a bicicleta, além do desincentivo ao uso de carros.

“O transporte público só deve ser usado quando for absolutamente necessário – como último recurso. Muitos londrinos agora precisam caminhar ou andar de bicicleta. Todos que podem trabalhar em casa devem continuar a fazê-lo. Todos nós devemos gastar mais tempo de lazer em nossas áreas locais para evitar viagens desnecessárias”, diz o governo em comunicado.

Além do distanciamento, o objetivo é manter a qualidade do ar alcançada durante a pandemia. Afinal, estima-se que em Londres o transporte motorizado é responsável por 50% da poluição atmosférica da cidade.

Plano

Criar calçadas mais amplas, expandir ciclovias, proibir e taxar condutores de carros estão entre as medidas a serem implementadas.

Diversas ruas no centro serão restritas apenas a pedestres, ciclistas e ônibus. O mesmo deve acontecer na Waterloo Bridge e na London Bridge, duas pontes importantes da cidade.

Ao mesmo tempo, a partir desta segunda-feira (18), volta a ser cobrada a Taxa de Congestionamento, que é uma espécie de pedágio cobrado dos veículos que circulam na zona central da cidade de segunda à sexta entre 7h e 18h.

Também volta a funcionar a Zona de Emissão Ultra Baixa (ULEZ), um dispositivo para frear veículos poluentes. No centro da capital londrina só podem circular os veículos que atendem aos padrões de emissão de poluentes a menos que paguem uma tarifa diária.

A implementação do ULEZ já contribuiu para a redução de 44% no dióxido de nitrogênio no centro de Londres entre fevereiro de 2017 e janeiro deste ano. Com a pandemia, se viu a queda dos níveis poluentes em diversas capitais, incluso Londres. Mas, segundo o governo, o tráfego e a poluição já estão começando a aumentar novamente.

Desafio

As medidas foram anunciadas apenas pelo prefeito de Londres, o resto do país deverá estudar o que pode ser feito em cada região. Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, já havia pedido que, ao voltar ao trabalho, a população não usasse o transporte público. Entretanto, o pedido é bem difícil de ser acatado em um país onde a distância média para o trabalho é de 13 quilômetros.

Inclusive, um dos efeitos imediatos em Londres no primeiro dia após o fim do lockdown foi exatamente a lotação do transporte público.

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