Um novo equipamento pode melhorar a qualidade de vida e mobilidade de pessoas cegas e com deficiência visual no Brasil. A bengala WeWALK já está disponível em mais de 20 países, como Estado Unidos, Reino Unido, Japão e Alemanha, e chega ao Brasil em dezembro de 2019.

Com sensores ultrassônicos, a bengala foi pensada especificamente para o dia a dia das pessoas com deficiências visuais. Ela alerta o usuário, por meio de vibrações em sua alça, sobre obstáculos inesperados na altura do peito e da cabeça, obstruções no caminho e vias estruturais de ruas e calçadas, por exemplo. Se conectada a um smartphone, via bluetooth, pode ser integrada ao Google Maps ou a softwares de assistência de voz para compreender os arredores e orientar sobre lojas, restaurantes, farmácias ou qualquer conveniência próxima.

“Com um significado especial, a WeWALK proporciona uma vida mais facilitada e independente aos deficientes visuais e possibilita que muitos deles, pela primeira vez, voltem para casa sem ter batido em algum obstáculo ao longo de seu caminho”, conta Doron Sadka, diretor da Mais Autonomia, representante da WeWALK no Brasil.

Kursat Ceylan, criador da WeWalk. Foto: Divulgação

A tecnologia foi criada por Kursat Ceylan, cego desde seu nascimento, que se dedica há quase dez anos à engenharia de projetos inovadores para deficientes visuais. Em 2012, após importantes conquistas, como a navegação interna, utilizada para encontrar objetos em casas ou escritórios, e um sistema de descrição, em áudio, de filmes exibidos nos cinemas, Kursat decidiu que queria fazer mais pela comunidade cega.

Decidiu organizar um hackathon para tecnologias voltadas a auxiliar deficientes visuais e escolheu, como projeto vencedor, a bengala inteligente WeWALK. O desenvolvimento durou três anos e, patrocinado por uma campanha de crowdfunding.

Mais de 250 milhões de pessoas no mundo têm deficiência visual. Foto: Divulgação

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há mais de 250 milhões de pessoas com deficiência visual em todo o mundo. “Atualmente, falamos muito de carros voadores e de alta tecnologia, mas as cidades do futuro devem estar conectadas para atender a todos”,  conta o Kursat Ceylan. “A tecnologia vale muito mais a pena quando privilegia a acessibilidade e inclusão por igual. Queremos ajudar a transformar a vida de pessoas portadoras de diferentes tipos de deficiências, sejam elas sensoriais ou de locomoção”.