Conceito ainda inédito e pouco discutido no Brasil, o slow design tem como base o desenvolvimento tanto de produtos, como o de serviços “mais longos”. Mas o que isso quer dizer? Quer dizer que cada projeto leva em consideração vários fatores antes de ser desenvolvido, entre eles o bem-estar e a integração entre indivíduo, sociedade e a natureza. O slow design se contrapõe aos modelos mais conhecidos que são baseados no consumo desenfreado e de curto prazo.

Quem adotou esse conceito foi a empresária curitibana Eduarda Guimarães de Almeida. Formada em Tecnologia em Processos Ambientais, e sempre ligada ao tema, no ano passado ela inaugurou “O Bosque hostel”: o primeiro hostel slow design do Brasil, que vem chamando atenção de curitibanos e turistas. “O Bosque nasceu de uma paixão antiga. Fui criada em meio a natureza, sempre perto da terra. Era um sonho: um projeto que tivesse esse conceito, que levasse em consideração a cultural local e regional, as pessoas e o meio ambiente”, comenta.

Aplicar esse conceito não foi tarefa fácil. Foram cinco anos até o hostel finalmente sair do papel – já que o Brasil ainda é pouco desenvolvido para empreender nesse sentido – , mas para Eduarda, tudo é possível, e se você quiser aplicar o slow design no seu projeto, a dica é: tenha calma, pesquise, entenda o conceito e, aí sim, mude a cultura organizacional do seu negócio. “Eu vejo esse conceito muito além de uma simples ferramenta. Para aplicá-lo, nós precisamos entendê-lo, mudar nosso mindset e, a partir daí, desenvolvê-lo. Não é uma tarefa fácil, mas é possível, basta querer”, avalia a empresária.

“É um lugar que preza pela profundidade da experiência: parar, aproveitar e sentir”.

Materiais

O hostel está no mesmo local onde existia uma casa da década de 1970, portanto foi completamente reformada com base na permacultura e na reutilização de materiais. As paredes que precisaram ser construídas são de barro, o verde está presente em todo o terreno e as tintas utilizadas são feitas de pigmento mineral. Já o telhado é original, assim como a superfície de coleta de chuva. A energia é solar e produzida in loco, e os tetos verdes trazem beleza e frescor à estadia.

A decoração também foi pensada pela empresária. Baseada nos conceitos do slow design, tem um ar aconchegante e tranquilo, com livros da família, almofadas de resíduos têxteis, camas feitas de bambu – que vem da região metropolitana de Curitiba, incentivando o comércio local -, os lençóis são orgânicos, as panelas de tecnologia de cerâmica livre de tóxicos, as luminárias de papelão. “Dentro do O Bosque tudo se transforma. Mais do que o visual, nós nos preocupados com o de onde vem e para onde tudo isso vai. O impacto que geramos pode mudar a nossa qualidade de vida, aqui e agora. É um lugar que preza pela profundidade da experiência: parar, aproveitar e sentir”, completa.

Hub de sustentabilidade

A casa que abriga O Bosque fica em uma rua arborizada e tranquila, próxima a um dos pontos turísticos mais charmosos de Curitiba: o Museu Oscar Niemeyer. Além do hostel, o espaço ainda abriga um café e uma loja conceito “Lixo Zero” – a primeiro lixo zero da cidade e do sul do país – e uma galeria. “A nossa proposta é que o espaço seja um hub de sustentabilidade, um modelo inédito aqui no Brasil, com hospedagem, loja, café, eventos que atraiam turistas de todos os cantos do mundo “, finaliza.

O Bosque hostel

O hostel funciona todos os dias da semana e aceita todos os cartões. Para mais informações acesse o site ou as páginas oficiais da marca no Instagram e no Facebook.