O lixo plástico, as bitucas de cigarro e as redes de pesca estão aos montes nos oceanos. Parte das ações para o mal que já está feito, é usá-los como matéria-prima. Exemplo disso, é a empresa de arquitetura e design Snøhetta que reaproveitou redes de pesca para construir uma cadeira digna de toda a “pompa” que um móvel assinado merece.

A companhia possui um pequeno laboratório na Noruega para experimentar as diversas possibilidades de usar o plástico reciclado como material de construção. E foi por conta deste trabalho que a fabricante de móveis Nordic Comfort Products (NCP) resolveu contratá-la para redesenhar uma de suas cadeiras. Foi assim que surgiu a S-1500, repaginada para um conceito sustentável.

O mais bacana deste projeto é que durante o processo, as companhias encontraram numa indústria local de salmão, em um raio de apenas 20 quilômetros, a oportunidade de coletar redes de pesca locais. Parece pouco, mas esta é, de fato, uma maneira de reduzir o impacto ambiental da produção, emitindo o mínimo de emissões.

Outro ponto interessante é que se conseguiu aproveitar as cores das próprias redes, sem fazer uso da adição de corantes: tons de verde, amarelo e azul escuro foram combinados na criação da cadeira. De acordo com o site Fast Company, a cadeira S-1500 estará à venda ainda este ano.

Plástico como recurso

Diversas iniciativas deste tipo têm surgido pelo mundo. Enquanto não reduzimos a produção de lixo marinho e encontramos maneiras de impedir que certos materiais poluam nossos oceanos, surgem ideias criativas. Entre as soluções, já falamos dos holandeses que usam uma impressora 3D para criar bancos de lixo plástico (veja aqui), um estúdio de design que transforma lixo dos oceanos em objetos luxuosos (veja aqui) e, recentemente, falamos de um barco feito totalmente com chinelos reciclados e lixo plástico marinho (veja aqui).

Redes de pesca

Relatório publicado em 2018 pelo World Animal Protection afirma que 640 mil toneladas de redes de pesca são perdidas ou descartadas em nossos oceanos por ano. Além do alto impacto ambiental pela demora na decomposição desses equipamentos, até 600 anos, estima-se que 5 a 30% do declínio populacional de algumas espécies pode ser atribuído à pesca fantasma.