Sem cortar árvores, hotel abraça a natureza
Construir também é saber escutar o lugar: chalés se moldam à floresta com o mínimo impacto
Construir também é saber escutar o lugar: chalés se moldam à floresta com o mínimo impacto
Desenvolver um projeto arquitetônico em meio a metasequoias e bambuzais sem impactar negativamente o ambiente foi o desafio do escritório GLA Architects. Em Hangzhou, na China, a empresa projetou uma série de chalés que formam, segundo define, um “hotel que abraça a natureza”.
Intervenção mínima foi a premissa para construir o Dongmingshan Senyu Hotel, que ocupa 1.300㎡ em uma paisagem exuberante. O hotel na natureza está localizado mais precisamente no final de uma trilha na montanha, ao lado de um riacho e cercado por imponentes sequoias. Algumas antigas estruturas de madeira estavam em ruínas.
“Em vez de limpar o terreno, a GLA abordou o local como uma ‘cirurgia minimamente invasiva’, integrando cuidadosamente a nova arquitetura, preservando a vegetação existente. Nenhuma árvore foi cortada; cada intervenção foi pautada pelo respeito ao terreno e à ecologia”, explica a GLA Architects.

No espaço, as cabanas também foram envoltas em fachadas de bambu trançado, que filtram a luz natural e criam transições visuais suaves entre os espaços internos e externos. Por fora, a estrutura de aço aparente permite modificações futuras e demonstra uma linguagem arquitetônica silenciosa e adaptável, enraizada na paleta de materiais locais.
O projeto inclui um centro de recepção e três tipos de cabines que se integram ao verde e oferecem aos hóspedes uma experiência imersiva na floresta.

O centro de recepção do hotel, principal elemento construído do projeto, mantém o volume de uma estrutura anterior. Uma grande janela voltada para o sul emoldura a floresta. As janelas clerestório (janelas altas comuns em igreja que permitem a entrada de luz natural) voltadas para o norte garantem que a iluminação e o bambuzal possam compor o espaço.

A solução para preservar o solo da floresta, não perturbar as raízes e outros seres vivos, foi elevar as cabines de hospedagem. Inspiradas nas pinhas, tanto na forma quanto na lógica modular, essas cabanas se adaptam com flexibilidade às condições do local. As linhas estreitas do telhado refletem a verticalidade das árvores, ao mesmo tempo em que oferecem uma identidade distinta.

Construídos em madeira, as cabanas adotam uma construção sobre palafitas, o que melhora a ventilação e reduz a perturbação do local. Essa forma é ideal para o ambiente úmido e rico em vida selvagem. Um telhado em “V” complementa a cobertura, enquanto claraboias levam luz natural para os espaços internos altos, conectando os hóspedes aos ritmos do sol e do vento.

Ainda de acordo com os arquitetos responsáveis, para preservar a floresta, a equipe realizou repetidos estudos no local para mapear cada árvore. Os planos de construção foram ajustados em tempo real para evitar danos à paisagem. O resultado é um hotel em meio à natureza que parece inserido – e não imposto – em seu entorno.

Com intervenção mínima, o projeto convida os hóspedes a se reconectarem com a floresta, tendo transformado uma área antes negligenciada, segundo informam, em um local de retiro e tranquilidade.









