Para que um produto seja considerado sustentável ou ecologicamente correto é preciso analisar toda a sua cadeia produtiva, desde a sua origem até a sua durabilidade e decomposição. Tendo todas essas preocupações em pauta a empresa alemã Kun_Tiqi começou a fabricar pranchas de surf ecológicas.

A madeira balsa, usada na fabricação do utensílio esportivo, possui ótima flexibilidade e estabilidade. Esta é uma das madeiras mais leves que existem e é proveniente de uma das espécies de crescimento mais rápido, que chega a atingir altura de até dez metros e diâmetro de 20-25 cm, dentro de três ou quatro anos.

A madeira que a empresa usa vem de uma fazenda familiar, situada na região costeira do Equador. O chefe da fazenda e da família é Don Zandoval e as árvores por ele plantadas são cultivadas em um sistema de agrofloresta que mistura o cultivo das árvores com cultivo de bananas, mandioca e feijão.

Todas as pranchas são produzidas artesanalmente, por isso levam seis vezes mais tempo para ficarem prontas do que as convencionais. Além disso 90% dos materiais importados, utilizados para a construção dessas pranchas de madeira são naturais e renováveis.

Depois de adquirir forma, a prancha é laminada com uma resina feita quase que inteiramente de linhaça  e sem ingredientes tóxicos. As resinas convencionais, de poliéster, contêm substâncias corrosivas que contaminam a água e a atmosfera e colocam em risco o shaper (pessoa que fabrica a prancha). A eco resina que é mais elástica e mais flexível, proporciona uma maior adaptação ao contorno das ondas e minimiza a frequência de reparos.

Mesmo usando diversos itens ecologicamente corretos, a empresa ainda se lamenta pelo fato de não conseguirem substituir as fibras de vidro utilizada para laminar a prancha. Mesmo que em pouca quantidade, a produção das fibras de vidro faz uso de energias fósseis. De qualquer forma, a empresa está se esforçando para substituí-la por fibras naturais para evitar qualquer influência negativa ao meio ambiente.

O fato de serem muito mais resistentes e duráveis do que as tradicionais pranchas de espuma também minimizam o impacto ambiental da atividade. Assim a comunidade dos surfistas pode fazer sua própria contribuição para preservar o nosso planeta.

A produção de "blocos de espuma” tem um efeito extremamente negativo sobre o meio ambiente, causado pelo uso de materiais como poliuretano ou poliestireno, que são produzidos a partir de combustíveis fósseis (óleo mineral), bem como pela emissão de substâncias cancerígenas durante o processo de produção. Somado a isso, a produção requer uma grande dose de energia, que resulta na emissão de grande quantidade de dióxido de carbono e o produto final dificilmente é capaz de ser reciclado.

Com o slogan “os surfistas que se importam” a marca confirma que o seu produto é direcionado às pessoas que buscam reduzir o impacto que causam no planeta e estão preocupadas com o futuro da natureza. Confira o vídeo.

[VIDEO:prancha_de_surf_com_materiais_renovaveis]

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.