O arquiteto paulistano Rafael Gringberg quer dar uma nova utilidade aos velhos prédios desativados da cidade de São Paulo. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo o ainda estudante apresenta a ideia de revitalizar edifícios transformando-os em fazendas verticais.

Apesar de parecer estranho transformar um monte de concreto em espaço útil para alguma plantação, o projeto é totalmente plausível e inclusive é praticado em alguns países que possuem dificuldades com os métodos tradicionais de agricultura. O projeto de Gringberg consiste em revitalizar os edifícios São Vito e Mercúrio, no centro da capital paulista.

Os dois edifícios que foram considerados pelo arquiteto estão atualmente em processo de demolição pela Prefeitura de São Paulo. Porém, durante anos eles passaram, sem sucesso, por processos de revitalização que não conseguiram transformá-los em espaço disponível para moradia, nem para comércio. A proposta sugere que essa estrutura seja usada para a produção de alimentos através do sistema de hidroponia, no qual as plantas são cultivadas em água, aproveitando a luz solar. O jovem estudante vai ainda mais longe em sua meta e inclui o tratamento das águas do Rio Tamanduateí, para que elas possam ser usadas no plantio.

As vantagens de uma fazenda vertical são muitas, no entanto, elas não são muito valorizadas no Brasil porque o país ainda possui uma grande quantidade de terras férteis e disponíveis para a produção. O sistema sugerido por Gringberg permitiria que o cultivo ocorresse em qualquer época do ano e também colaboraria para a redução dos gases de efeito estufa.

O projeto foi, portanto, apresentado à prefeitura, ao Ministério Público e o arquiteto também tem trabalhado com essa ideia em conferências da área. No entanto, ele ainda não foi incorporado ou posto em prática por nenhum dos órgãos públicos.

O assunto é debatido e estudado mundialmente, tanto que o professor da Universidade de Columbia, nos EUA, Dickson Despommier, reuniu diversos projetos de fazenda vertical, em seu livro Vertical Farms. Essa tecnologia tende a ser uma das soluções para a produção alimentícia em centros urbanos cada vez mais habitados. Em seu livro o professor explica que uma base com 30 andares seria capaz de fornecer alimento para até 10 mil pessoas.

Devido a atual situação de conforto brasileira, Paulo Pellegrino, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, sugere que, por enquanto, apenas os telhados dos edifícios e casas sejam usados para cultivos e agricultura. Segundo ele, isso reduziria as ilhas de calor e a impermeabilização do solo das grandes cidades.

Luiz Henrique Ferreira, diretor da empresa especializada em projetos de construção sustentável, Inovatech, garante que a ideia é inovadora e que oferece sugestões a serem colocadas em prática após o ano de 2050. No momento, ele lembra que a prioridade brasileira deve ser acabar com os problemas de moradia.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.