Um espaço de trabalho compartilhado em Burkina Faso é exemplo de como é possível obter um ambiente moderno, funcional e sustentável aplicando técnicas locais. O projeto JUMPHUB é do escritório de design Jakub Cigler Architekti, que tem sede em Praga, capital da República Tcheca.

Entre os pontos interessantes desta obra é que nos créditos do projeto há uma lista extensa de voluntários. Isso porque muita gente colocou a mão na massa para fazer a ideia virar realidade.

JUMPHUB

JUMPHUB é um coworking sustentável instalado em Uagadugu, capital de Burkina Faso, com ajuda da comunidade. O nome JUMP significa Jeunesse Unie pour un Mouvement Positif (Juventude Unida por um Movimento Positivo) e está desenhado na fachada do prédio em Código Morse. Todavia, o acrônimo pode facilmente passar despercebido como apenas pequenas aberturas de janelas.

“É um local para desenvolver ideias, incentivar a criatividade, promover a produção artística e a difusão cultural. O coletivo reúne jovens profissionais de diferentes setores: artistas, designers, cientistas da computação, fotógrafos, jardineiros e muito mais”, explica o site dos responsáveis pelo projeto. Além de tudo isso, o principal objetivo será “vincular arte e cultura à conscientização em diversas áreas, como educação informal, respeito ao meio ambiente, sustentabilidade da vida urbana, igualdade social e emancipação, democracia, paz e estabilidade”.

Construção

O edifício vertical foi construído usando blocos de terra compactados (BTC), um tijolo ecológico (também chamado de tijolo de solo-cimento) feito de solo arenoso, água e, geralmente, um pouco de cimento ou cal e adensada em molde por meio de compactação ou prensagem. Isso quer dizer que ele não passa pelo processo de queima.

O BTC garante uma obra mais barata, uma vez que pode ser feito com o próprio solo local, além de apresentar conforto térmico e acústico. A escolha de tal material garante um espaço naturalmente fresco, excluindo a necessidade de ar-condicionado.

Com apenas 50 metros quadrados, a construção aproveitou do teto alto para instalar redes, balanços e espaços elevados, funcionais e criativos. Não à toa, a equipe responsável afirma que “pretende promover a criatividade como fator de integração social”.

As aberturas na parte superior garantem entrada abundante de luz natural. Ainda é prevista a instalação de energia solar no futuro.

Concluído em agosto de 2019, o projeto foi financiado pela Embaixada Tcheca. O escritório responsável pelo projeto afirma que a construção foi possível graças a muitos voluntários. “A comunidade local se envolveu no processo de construção e se beneficiou das oficinas”. Quem sabe a ideia não seja replicada em outros pontos da cidade.