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Noites mal dormidas, sonolência ao longo do dia e sensação de sono pouco reparador? Foto: Vitaly Gariev | Unsplash

Embora muitas pessoas associem o inverno a noites de sono mais confortáveis, a estação também pode favorecer alterações que prejudicam o descanso. As temperaturas mais baixas, os dias mais curtos e mudanças na rotina influenciam mecanismos importantes do organismo, afetando tanto a duração quanto a qualidade do sono.

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Além do frio, fatores como a redução da exposição à luz natural, o aumento das doenças respiratórias e alguns hábitos comuns da estação podem contribuir para noites mal dormidas, sonolência ao longo do dia e sensação de sono pouco reparador.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Nilson André Maeda, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, essas mudanças podem interferir diretamente no funcionamento do relógio biológico.

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“O ritmo circadiano, que funciona como um relógio biológico do organismo, depende da exposição à luz para se manter adequadamente sincronizado. Durante o inverno, especialmente quando há menor exposição à luz natural pela manhã, esse sistema pode sofrer alterações que influenciam o ciclo sono-vigília e a qualidade do sono”, explica.

Exposição à luz solar interfere no sono

A luz natural desempenha um papel fundamental na regulação da melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao organismo o momento mais adequado para dormir. Quando a exposição ao sol diminui, como ocorre durante o inverno, esse processo pode sofrer alterações.

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Com dias mais curtos e maior permanência em ambientes internos, muitas pessoas recebem menos estímulos luminosos ao longo do dia, dificultando a manutenção do ciclo natural entre sono e vigília.

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“Em algumas pessoas, isso pode contribuir para maior sonolência durante o dia e para uma percepção de sono menos restaurador durante a noite”, afirma Maeda.

Rinite, nariz entupido e ronco podem piorar 

Outro fator que contribui para a piora da qualidade do sono é o aumento das doenças respiratórias típicas da estação. Casos de rinite alérgica, congestão nasal, sinusite e infecções das vias aéreas superiores tornam-se mais frequentes, dificultando a respiração durante a noite.

Como consequência, aumentam as chances de ronco, despertares frequentes e fragmentação do sono, reduzindo a sensação de descanso ao acordar.

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“É bastante comum observarmos piora da obstrução nasal e dos sintomas alérgicos durante o inverno. Em muitos casos, isso pode contribuir para maior fragmentação do sono e redução da sensação de descanso ao despertar”, destaca o especialista.

Qual é a temperatura ideal para dormir?

Apesar da percepção de que o frio favorece o sono, temperaturas muito baixas ou ambientes excessivamente aquecidos também podem prejudicar o descanso.

O organismo precisa reduzir naturalmente sua temperatura corporal para iniciar e manter o sono de forma adequada. Quartos muito frios podem provocar desconforto e despertares durante a noite, enquanto o excesso de cobertores ou aquecimento pode causar superaquecimento corporal.

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“O ideal é manter um ambiente confortável, sem extremos. O quarto deve estar escuro, silencioso e bem ventilado. Para a maioria das pessoas, temperaturas em torno de 18°C a 22°C costumam proporcionar boas condições para o sono”, orienta Maeda.

sono acordar
Foto: Gregory Pappas | Unsplash

Hábitos prejudiciais

Além das mudanças climáticas, alguns comportamentos típicos dos meses mais frios também podem comprometer a qualidade do descanso. Entre os principais estão:

  • redução da atividade física;
  • menor exposição à luz solar;
  • aumento do tempo em frente às telas;
  • maior consumo de café e outras bebidas estimulantes;
  • horários irregulares para dormir e acordar.

Segundo o especialista, sintomas respiratórios persistentes, como obstrução nasal e crises de rinite, também costumam ser negligenciados nessa época do ano, apesar de influenciarem diretamente a qualidade do sono.

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Como dormir melhor durante o inverno

Algumas mudanças simples na rotina podem ajudar a preservar a qualidade do sono mesmo durante os meses mais frios. As principais recomendações incluem:

  • manter horários regulares para dormir e acordar;
  • buscar exposição à luz natural logo nas primeiras horas da manhã;
  • praticar atividade física regularmente;
  • reduzir o uso de celulares, computadores e outras telas antes de dormir;
  • evitar o consumo de cafeína no período da noite;
  • manter o quarto arejado, silencioso e com temperatura confortável;
  • tratar corretamente alergias e problemas respiratórios.

Quando procurar um especialista?

Ronco frequente, sonolência excessiva durante o dia, pausas respiratórias observadas durante o sono e obstrução nasal persistente não devem ser considerados apenas consequências do inverno.

“Embora o inverno possa favorecer alterações no sono por fatores ambientais e comportamentais, os hábitos saudáveis e as medidas adequadas de higiene do sono costumam minimizar esses impactos. Além disso, sintomas persistentes como ronco frequente, obstrução nasal, pausas respiratórias durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia merecem investigação, pois podem estar associados a distúrbios do sono que necessitam de tratamento”, conclui Maeda.

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