Campanha mobiliza escolas e comunidades por cidades sem risco
9ª edição do #AprenderParaPrevenir envolve 30 mil estudantes e atua em 23 cidades com foco em redução de risco ambiental e justiça climática
9ª edição do #AprenderParaPrevenir envolve 30 mil estudantes e atua em 23 cidades com foco em redução de risco ambiental e justiça climática
Diante do aumento de enchentes, deslizamentos e ondas de calor extremo no Brasil, a prevenção ganha centralidade como estratégia de proteção à vida. Com esse objetivo, a 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco mobiliza escolas, educadores, comunidades e iniciativas populares em ações de educação para a redução de riscos de desastres em cidades e territórios vulneráveis.
A campanha é realizada pela Secretaria Nacional de Periferias (SNP) e pelo Programa Cemaden Educação, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Cemaden, do Ministério das Cidades (MCID), do Ministério da Educação (MEC), da SECADI e por meio de articulação interministerial do Governo Federal. A iniciativa integra políticas públicas de educação, ciência e desenvolvimento urbano e reforça a prevenção como eixo estruturante da justiça climática, sobretudo nas periferias, onde os impactos da crise climática são mais intensos.

Ao destacar que os desastres não são naturais, mas resultado de vulnerabilidades sociais, territoriais e institucionais não enfrentadas, a campanha contribui para fortalecer uma cultura de prevenção baseada em educação, informação e organização coletiva, evidenciando os impactos desiguais dos eventos extremos sobre populações historicamente vulnerabilizadas. Para Samia Sulaiman, coordenadora de Articulação e Parcerias da Secretaria Nacional de Periferias, a prevenção deve ser permanente. “Investir em educação para a redução de riscos é investir em vidas e fomentar cidades mais justas. A prevenção precisa estar no centro das políticas públicas, especialmente nos territórios onde os efeitos da crise climática são mais severos”, afirma.
Com abrangência nacional, a edição 2025–2026 deve impactar diretamente cerca de 30 mil estudantes e atua de forma prioritária em 23 municípios de diferentes regiões do país, definidos a partir de critérios técnicos de risco socioambiental. As ações incluem a formação de mobilizadores escolares e territoriais, educadores e facilitadores municipais, além de atividades pedagógicas, projetos de ciência cidadã e iniciativas de sensibilização comunitária. Nesta edição, a campanha adota o conceito de “campanha de campanhas”, estimulando que escolas, coletivos, universidades, organizações sociais, Núcleos Comunitários de Defesa Civil e iniciativas populares desenvolvam ações próprias, adaptadas aos riscos e às especificidades de cada território.
Entre os principais eixos estão a oferta gratuita de cursos e trilhas formativas, que somam 120 horas, a disponibilização de materiais educativos para uso em salas de aula e espaços comunitários, além de jornadas pedagógicas, webinários, encontros online e ações presenciais. Os conteúdos abordam educação ambiental climática, redução de riscos de desastres, leitura do território, justiça climática e ciência cidadã. Segundo Rachel Trajber, do Cemaden Educação, o formato amplia o alcance da prevenção. “Chamamos de Campanha de Campanhas porque quando escolas, organizações e comunidades reconhecem seus riscos e mobilizam sua gente, criam caminhos de proteção. A ação é coletiva, não dá para enfrentar a crise climática sozinho”, destaca.
A partir de abril, estarão abertas as inscrições das campanhas comunitárias, permitindo mapear e reconhecer experiências desenvolvidas em todo o país e fortalecer a troca de aprendizados. Mais do que uma ação pontual, a campanha #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco aposta na mudança de cultura: agir antes para salvar vidas, por meio da educação, da comunicação e da organização coletiva, reafirmando que prevenir desastres é proteger vidas e garantir o direito à cidade.