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Ouvir música pode reduzir risco de demência, diz estudo

Pesquisa realizada na Austrália analisou idosos que escutam e tocam instrumentos regularmente

demência
Foto: Anna Shvets: | Pexels.com

Ter uma dieta saudável, se exercitar regularmente e cuidar da saúde mental com atividades intelectuais são conhecidas formas de prevenir a demência. Agora, um novo estudo revela uma forma mais descontraída e prazerosa de reduzir o risco de demência: ouvir música diariamente.

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A descoberta é resultado de uma análise de dados de mais de 10.800 pessoas, com mais de 70 anos, feita na Universidade Monash em Melbourne, na Austrália. O estudo, liderado pela estudante Emma Jaffa e pela professora Joanne Ryan, mostrou que aqueles que ouviam música regularmente, em comparação com aqueles que nunca, raramente ou apenas às vezes o faziam, apresentavam um risco 39% menor de desenvolver demência. Tocar um instrumento também foi associado a benefícios, com uma redução de 35% no risco de demência.

Além de uma menor incidência de demência, foi detectado também entre os que ouviam música sempre uma redução de 17% no comprometimento cognitivo, pontuações cognitivas gerais mais altas e melhora na memória episódica, que é usada para recordar eventos cotidianos. O número sobe para 22% considerando aqueles que ouviam e tocavam música regularmente.

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Os resultados do estudo, no entanto, são observacionais e não podem provar que ouvir música realmente reduz os riscos de demência ou melhora o bem-estar cognitivo. Entre às limitações da pesquisa está, por exemplo, o fato de ser baseada nos relatos dos próprios participantes sobre seus hábitos musicais. Isso pode levar a um erro comum em estudos: o efeito de causalidade reversa, onde basicamente se assume que a Causa A leva ao Efeito B, quando na verdade o Efeito B (a consequência ou o desfecho) influencia ou causa a Causa A, ou seja, a relação de causa e efeito está invertida.

caminhada musical
Foto: Andres Costa

 

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Os resultados foram publicados no International Journal of Geriatric Psychiatry.

Música como estratégia de saúde

Estudos anteriores já apontavam como a música é capaz de ativar áreas do cérebro que, ao longo do processo, liberam substâncias como a dopamina, que trazem sensações de prazer e bem-estar. Neste novo estudo, as pesquisadoras salientam que a música pode ser uma maneira acessível de melhorar a saúde cerebral, sobretudo com o aumento da expectativa de vida.

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piano música idoso idosa
Foto: Carlos Torres | Unsplash

Os resultados “sugerem que as atividades musicais podem ser uma estratégia acessível para manter a saúde cognitiva em idosos, embora a causalidade não possa ser estabelecida”, diz Emma Jaffa. A professora Joanne Ryan complementa que a prática pode ser estimulada ao longo da vida de forma a moldar o envelhecimento cognitivo. “As evidências sugerem que o envelhecimento cerebral não se baseia apenas na idade e na genética, mas pode ser influenciado pelas escolhas individuais de estilo de vida e fatores ambientais. Nosso estudo sugere que intervenções baseadas no estilo de vida, como ouvir e/ou tocar música, podem promover a saúde cognitiva”, reforça.