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Vape entre jovens: nicotina afeta cérebro em desenvolvimento

Cerca de 15 milhões de adolescentes no mundo utilizam cigarros eletrônicos; especialistas alertam para os efeitos dos vapes na saúde física e mental

cigarros eletrônicos jovens
Jovens têm sido o alvo principal do novo produto da indústria do tabaco. Foto: Vaporesso na Unsplash

No último domingo, dia 31 de maio, foi celebrado o Dia Mundial sem Tabaco. O Brasil, que já foi referência global na redução do número de fumantes, viu sua taxa crescer após quase duas décadas de queda. Dados publicados em 2025 revelaram que 11,6% da população adulta se declara fumante de cigarro convencional, sendo que em 2023 a taxa estava em 9,3%. O avanço de cigarros eletrônicos entre jovens também preocupa especialistas. O terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) apontou que o uso de tais dispositivos entre adolescentes no Brasil é cinco vezes maior do que a de consumo do tabaco convencional.

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A venda e a comercialização dos cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil. Conhecido como vape ou pod, tal cigarro não queima tabaco; ele aquece um líquido e libera nicotina em forma de aerossol. Desta forma, a absorção da nicotina se dá pela vaporização, mas o que sai do dispositivo não é apenas vapor de água, mas uma mistura de partículas e gases, por isso, especialistas divergem sobre a redução de danos prometida pela versão eletrônica.

Jovens têm sido o alvo principal do novo produto da indústria do tabaco. Uma pesquisa recente do IBGE aponta que cerca de 29,6% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram o cigarro eletrônico. “Apesar dos sucessos obtidos com a política e as campanhas para a redução do consumo do cigarro, o cigarro eletrônico cresce sob uma propaganda enganosa de ser de baixa toxicidade, com seu cheiro e sabor atraente para os jovens e as crianças”, afirma o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi.

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Cigarros eletrônicos entre jovens

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Giorgia Ocinschi, explica por que os efeitos do cigarro entre jovens é mais preocupante. “O tabaco na juventude é ainda mais prejudicial porque o cérebro humano só termina de se desenvolver por volta dos 25 anos e a nicotina interfere na capacidade de aprendizado, memória, controle de impulsos e aumenta a vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e depressão”, afirma Giorgia.

A especialista afirma que, como o sistema de recompensa jovem é mais plástico e reativo, a dependência química se instala de forma muito mais rápida do que em adultos, transformando o consumo ocasional em um vício difícil de romper na maturidade.

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“Esse cenário é agravado pelos cigarros eletrônicos, que utilizam sais de nicotina para entregar doses maiores da substância e expõem o organismo a metais pesados e substâncias tóxicas que podem causar danos severos em curto espaço de tempo”, comenta a psicóloga.

Como reduzir o uso do tabaco entre jovens?

Um dos principais pontos para reduzir o uso entre jovens é a desconstrução da imagem social do cigarro e dos vapes, em vez de usar apenas táticas de medo sobre doenças futuras.

“É preciso desassociar a imagem do cigarro e do vape do status social que eles aparentam ter e enfatizar prejuízos imediatos, como a queda no desempenho esportivo, o mau hálito e o amarelamento dos dentes. Esses fatores ressoam mais com a realidade juvenil do que falar de problemas de saúde que parecem distantes”, explica Giorgia.

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Suecia tabagismo
Foto: Troy T | Unsplash

A especialista ressalta que criar espaços de diálogo aberto, sem julgamentos ou punições que afastem o jovem, permite que ele entenda o vício como um problema de saúde e não como uma falha de caráter. “Programas de apoio com linguagem acessível e próxima da realidade dos adolescentes podem aumentar a adesão ao tratamento e ajudar na interrupção do vício”, conclui a especialista.