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Greenwashing institucional e maquiagem verde no Brasil

Caio Queiroz, CEO da Aguama, afirma que são necessárias ações que comprovem o discurso pela Sustentabilidade neste momento pré-COP30

bancos amazônia
Desmatamento na terra indígena URU-EU-WAU-WAU. Foto: © Marizilda Cruppe | Greenpeace

Às vésperas da COP30, o noticiário brasileiro vem sendo inundado por manchetes otimistas:
“Desmatamento na Amazônia atinge o menor nível da década”, “Brasil lidera transição verde”, “Nova era da sustentabilidade”. Mas basta olhar os dados científicos para perceber que a narrativa não se sustenta.

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Segundo o INPE, o desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2023 e julho de 2024 foi de 6.288 km², uma queda de 30% em relação ao ano anterior. Parece uma boa notícia — até observarmos o que vem depois: em maio de 2025, o desmatamento subiu 91% em relação a maio de 2024, alcançando 960 km² derrubados em apenas um mês.
Entre agosto de 2024 e junho de 2025, os alertas de desmatamento cresceram 8,4%, e as áreas sob “desmatamento com vegetação queimada” aumentaram 245%, segundo o próprio Ministério do Meio Ambiente.

E enquanto o corte raso parece diminuir, a degradação florestal — aquela perda silenciosa de qualidade da floresta — está explodindo: cresceu 44% em 2024 e 163% em relação a 2022, de acordo com o Phys.org.

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Solo da Amazônia
Solo da Amazônia. Foto: Felipe Santos da Rosa | Embrapa

O retrato fica ainda mais grave quando lembramos que 91% da perda florestal na Amazônia brasileira é ilegal, segundo o World Resources Institute (WRI). E que, mesmo com a “queda oficial” do desmatamento, o Brasil queimou 30,8 milhões de hectares de áreas selvagens em 2024 — 58% disso na Amazônia, conforme o MapBiomas e The Guardian.

Paralelamente, o ICMBio — que recentemente defendia ser “impensável” a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas — agora flexibiliza essa posição, abrindo caminho para licenças que colocam em risco ecossistemas marinhos únicos.

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poeira Saara Amazônia
Vista da Torre Alta da Amazônia, com 325 metros de altura. Foto: Rodrigo Cabral | MCTI

Essas contradições revelam um greenwashing institucional: o uso político da sustentabilidade para melhorar imagem e atrair investimentos internacionais, enquanto decisões estruturais seguem pautadas por interesses econômicos e acordos de poder.

A verdade é que a sustentabilidade no Brasil ainda é tratada como discurso, não como política de Estado.
E enquanto ela for usada como peça de marketing, continuaremos a perder — não apenas árvores, mas qualidade de vida, equilíbrio climático e futuro.

Sustentabilidade não é estratégia. É sobrevivência.

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colunista Caio Queiroz
Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.