Caciques do Oiapoque repudiam exploração de petróleo
Caciques denunciam ausência de consulta, impactos socioambientais e exigem suspensão imediata de licenças na Foz do Amazonas
Caciques denunciam ausência de consulta, impactos socioambientais e exigem suspensão imediata de licenças na Foz do Amazonas
Em uma manifestação histórica, mais de 60 caciques dos povos indígenas Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na e Palikur Arukwayene, do Oiapoque (AP), divulgaram uma carta exigindo a imediata suspensão do processo de licenciamento do bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, e de todos os blocos incluídos no próximo leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), previsto para 17 de junho.
As lideranças, reunidas no Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), denunciam que nunca foram consultadas sobre a exploração de petróleo na região, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Constituição Brasileira. Mesmo com os impactos socioambientais já sentidos nas aldeias, os territórios indígenas ficaram fora do Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela Petrobrás.
Na carta, os caciques denunciam os graves riscos socioambientais da atividade petrolífera, como poluição, destruição da biodiversidade e ameaça à subsistência dos povos indígenas. Além disso, condenam a disseminação de desinformação e a perseguição a lideranças indígenas que se manifestam contra o projeto.
O CCPIO exige a suspensão imediata de qualquer projeto de exploração na região e convoca o apoio de organizações indígenas, entidades de direitos humanos e da sociedade brasileira em defesa da vida dos povos originários e da proteção da Amazônia.

Carta de Repúdio aos Representantes Políticos do Estado do Amapá
No documento, o CCPIO expressa seu veemente repúdio às declarações e ações de toda a classe política do estado do Amapá, que, segundo as lideranças indígenas, insiste em defender a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, ignorando os graves impactos socioambientais e violando os direitos fundamentais dos povos que vivem ali.
Os caciques destacam cinco pontos principais:
4. Disseminação de ódio e desinformação:
Repudiam a classe política, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os senadores Davi Alcolumbre, Randolfe Rodrigues e Lucas Barreto, o deputado Inácio, o governador Clécio Luis, o vice-governador Teles Junior, o prefeito Breno Almeida, a Câmara de Vereadores do Oiapoque e demais autoridades. Acusam todos de disseminarem desinformações sobre a exploração de petróleo, a criação da Reserva Extrativista Marinha e de perseguirem e ameaçarem lideranças que se opõem aos projetos.
5. Não ao Petróleo na Foz do Amazonas:
Reafirmam o repúdio a qualquer tentativa de silenciar suas vozes e exigem que o governo brasileiro suspenda imediatamente qualquer projeto de exploração na região. Pedem que o Congresso Nacional respeite a autonomia e os direitos constitucionais dos povos indígenas. Finalizam com um chamado à mobilização: “Convocamos todas as organizações indígenas, entidades de direitos humanos e a sociedade brasileira a se somarem a esta luta. PELA VIDA DOS POVOS INDÍGENAS E PELA PROTEÇÃO DA AMAZÔNIA!”
A carta é assinada pelo Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO).