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Na Índia, arquitetura resfria casa sem precisar de ar-condicionado

Com ventilação passiva, princípios da física, design e materiais especiais, arquitetura faz a temperatura cair em até 8ºC na área interna

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Foto: Samira Rathod Design Atelier (SRDA)

O calor faz parte da vida de quem mora na região oeste da Índia, onde fica um dos desertos mais quentes da Terra, o deserto do Thar ou Grande Deserto Indiano. As famílias que vivem nos estados do Rajastão e Gujarat aprenderam a se refrescar sem usar o “moderno” ar-condicionado e usam ferramentas da arquitetura para garantir o conforto térmico dentro das casas.

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Uma casa na cidade de Bharuch é um exemplo do uso deste conhecimento, aplicando os princípios da termodinâmica. Por lá, as temperaturas no verão ultrapassam a marca dos 40ºC, mas dentro desta residência, a sensação é de um clima fresco, sem o uso de eletricidade ou equipamentos de ar-condicionado.

No interior, o espaço é aconchegante, com muito verde e um ambiente pela ventilação passiva que faz a temperatura cair em até 8ºC com técnicas simples, mas muito eficientes.

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“Usamos a direção dos ventos, o design e materiais especiais para reduzir o calor da casa”, disse Samira Rathod, arquiteta principal da ‘Cool House’ e fundadora do Samira Rathod Design Atelier (SRDA).

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Samira Rathod Design Atelier (SRDA)

“O terreno tinha três prédios ao redor e uma rua de um lado. A única vista que a casa teria seria para o prédio vizinho. Uma casa ‘introvertida’ foi uma boa escolha nesse sentido. É basicamente uma casa em que a casa se abre quando você entra. Do lado de fora, pareceria uma estrutura bastante fechada”, explica ela.

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Na verdade, poderia até ser chamada de deprimente, já que sua porta da frente está escondida entre duas fachadas gigantes de 45 centímetros de espessura, em cinza e preto. Mas, por dentro, uma fenda gigante divide os cômodos da casa em dois lados. Por esta fenda, passa o vento vindo do oceano.

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Foto: Samira Rathod Design Atelier (SRDA)

A cidade de Bharuch fica no litoral do Oceano Índico e, apesar das temperaturas escaldantes, em vários momentos do dia, a brisa é constante. A estreita fresta construída na casa potencializa o poder de resfriamento do vento com base no efeito Venturi,  um princípio da física que afirma que quanto mais estreito o espaço por onde um elemento precisa passar, mais rápido e frio ele se torna. E isso funciona com o ar que atravessa a fenda.

O princípio pode ser observado na respiração humana, que, através da boca aberta, sai quente, mas através dos lábios franzidos, sai fria. O mesmo efeito pode ser observado em rios, onde canais estreitos fazem a água acelerar e formar corredeiras, enquanto terras largas e planas fazem a água desacelerar.

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Foto: Samira Rathod Design Atelier (SRDA)

No caso da construção, o vento do mar entra pela fenda e atinge um pátio interno, onde uma piscina de água o refresca ainda mais. Ao entrar no interior da casa de 930 metros quadrados, um segundo pátio circunda cada cômodo, onde a família vive há três gerações.

“A casa olha para dentro. Criamos pátios com árvores justamente para que o olhar e atenção das pessoas fique na área interna”, disse Rathod.

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