Estas casas estão melhorando a saúde de famílias na Tanzânia
De baixo custo, confortáveis e à prova de insetos, conheçam as “Star Homes”
De baixo custo, confortáveis e à prova de insetos, conheçam as “Star Homes”
Uma país de natureza deslumbrante e vida selvagem rica, mas que ainda enfrenta alta incidência de malária, infecções do trato respiratório e diarreia. A Tanzânia está no centro de um experimento de como as construções de casas podem afetar a saúde.
Em desenvolvimento há mais de uma década, o Projeto Star Homes consiste em 110 casas unifamiliares idênticas, construídas em 60 vilarejos diferentes na zona rural de Mtwara, na Tanzânia. Os lares são a base de um estudo que visa demonstrar se a melhoria das moradias pode melhorar a saúde familiar. O resultado até o momento é positivo.
As análises preliminares indicam que a malária e as doenças diarreicas foram reduzidas em um terço, crianças menores de cinco anos apresentaram melhora no crescimento e a abundância de mosquitos em ambientes fechados foi reduzida pela metade.

Para alcançar tal feito, a iniciativa tem por trás uma equipe interdisciplinar de arquitetos, especialistas em saúde pública e entomologistas.
Antes de entender melhor a solução, destacamos abaixo uma explicação dos próprios envolvidos no projeto sobre os problemas encontrados nas residências.

Tanto o estilo de casas modernizadas quanto o vernacular na África Subsaariana parecem predispor os moradores a contrair doenças transmitidas por vetores, entéricas e respiratórias. Paredes grossas absorvem calor durante o dia e o irradiam para dentro da casa à noite, o que impede os ocupantes de usar mosquiteiros, aumentando assim o risco de transmissão da malária. Os quartos térreos têm maior densidade de mosquitos, o que também aumenta o risco de contrair infecções transmitidas por vetores. A cozinha geralmente é feita em fogueiras abertas em espaços mal ventilados, o que pode levar a problemas de saúde respiratória, especialmente entre mulheres e crianças. As superfícies são geralmente feitas de terra compactada, difícil de limpar, o que, juntamente com latrinas a céu aberto, abastecimento de água inadequado e saneamento básico mínimo, deixa as famílias suscetíveis à diarreia e outras infecções entéricas. As consequências para a saúde de construir dessa maneira são mais severamente sentidas em regiões rurais, como Mtwara, no sul da Tanzânia, onde as famílias têm acesso limitado aos serviços de saúde pública.
Ao contrário da maioria das moradias rurais da Tanzânia, as novas casas têm dois andares. Isso reduz a área da fundação e do telhado, que normalmente são os componentes mais caros e que mais consomem materiais. Muitas casas na Tanzânia rural desabam durante as estações chuvosas, o que geralmente é resultado da má qualidade de suas fundações. Levando isso em consideração, cada Star Home é construída sobre uma base de concreto elevada, moldada em uma única concretagem para aumentar a resistência e preenchida com terra compactada para reduzir o uso de concreto e a necessidade de concreto.

A estrutura de cada residência é construída com elementos pré-fabricados de aço leve de 0,75 mm de espessura, dobrados em duas direções para maior resistência e montados em painéis que podem ser erguidos em menos de dois dias. As paredes parecem sólidas, mas, na verdade, são ocas, consistindo em duas finas camadas de argamassa de cimento sobre uma tela de arame. O resultado é uma casa que usa 70% menos concreto em comparação com um projeto típico de blocos de concreto e tem 40% menos energia incorporada.

Um aspecto fundamental do projeto de casas em prol da saúde foi buscar formas de reduzir a necessidade de consumo energético – pela própria natureza das áreas rurais, que costumam ter acesso limitado de eletricidade, além da limitação de recursos financeiros dos proprietários.
Entre as soluções, um fogão pré-fabricado, projetado sob medida, consome um terço a menos de combustível em comparação com os métodos tradicionais de cozimento, ao mesmo tempo que expele a fumaça para o exterior. Painéis de fachada com tela de sombreamento substituíveis impedem a entrada de mosquitos e permitem a ventilação e o resfriamento passivos , resultando em uma queda média de 2,5 graus na temperatura interna à noite, em comparação com uma casa de barro local. Um painel solar de 40 W fornece iluminação em cada cômodo e carregamento USB. A água da chuva é coletada do telhado e armazenada em um tanque de dois mil litros.

Desta forma, as Star Homes foram projetadas para serem facilmente escaláveis e otimizar o uso de recursos, reduzindo seu impacto ambiental e o custo de construção. Além da vida útil do edifício, a fundação pode ser reutilizada, e a estrutura e os painéis da fachada podem ser reutilizados ou reciclados.
O projeto ainda visa capacitar os moradores, ensinando novas técnicas de construção. Todos os componentes e mão de obra são da Tanzânia e construídos por uma equipe local.
Os desenvolvedores explicam que o processo para selecionar os beneficiários consistiu em um levantamento nas aldeias rurais de Mtwara, em 2019, cujas famílias que quisessem e atendessem aos critérios de inclusão do estudo (como ter crianças menores de 13 anos na casa) poderiam participar de um sorteio para ganhar uma Star Home construída em seu terreno. A construção ficou pronta em 2021. Desde então, além de rastrear episódios de malária, infecções respiratórias agudas e diarreia, paralelamente, a equipe avalia o desempenho e a aceitabilidade do projeto da casa, usando métodos mistos que envolvem entrevistas em profundidade, discussões em grupos focais, visitas guiadas às casas e pesquisas baseadas em questionários.

O projeto, que tem por trás sobretudo profissionais dinamarqueses, foi exposto durante a Semana de Design de Milão 2025, que aconteceu entre os dias 8 a 13 de abril.
