O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA ), o Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Governo Britânico (DEFRA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciaram nesta quinta (1) investimentos de £30 milhões, cerca de R$ 150 milhões. A ideia é oferecer capacitação técnica e recursos financeiros não reembolsáveis diretamente a pequenos e médios produtores. Isso vai ajudar na implementação de agricultura de baixa emissão de carbono e recuperação e proteção de florestas em suas propriedades.

Os recursos serão aplicados na segunda etapa do projeto Rural Sustentável , em que agricultores recebem compensação pela adoção de práticas sustentáveis e tecnologias de agricultura com baixa emissão de carbono, além de apoio financeiro para assistência técnica e a capacitação necessária para que adotem essas medidas.

O projeto é financiado pelo DEFRA por meio do Fundo Internacional para o Clima (IFC) do governo do Reino Unido. O MAPA é o beneficiário principal deste projeto, e a execução e administração dos recursos estão a cargo do BID. A primeira fase contou com o apoio técnico do Banco do Brasil e da Embrapa e implementação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) .

Projetos em andamento

A primeira etapa do projeto segue em execução e já capacitou a mais de 10 mil produtores dos biomas Amazônia e Mata Atlântica nos últimos dois anos. Para a segunda etapa serão selecionados municípios nos biomas Cerrado e Caatinga e, com as práticas implementadas, estima-se reduzir até 10.71 milhões de toneladas equivalente em emissões de carbono nessa área nos próximos 20 anos.

O representante do BID no Brasil, Hugo Flórez Timorán, aponta que a abordagem do projeto é pioneira na região. “O aprendizado que vem sendo construído junto a todos os parceiros neste projeto está na vanguarda de ações práticas para a mitigação dos impactos da mudança climática. Vários países da América Latina e do Caribe podem se beneficiar adotando essa metodologia, que pode ser facilmente adaptada”.

O pesquisador Renato de Aragão Rodrigues é o coordenador da Embrapa, instituição responsável pela avaliação técnica do programa. Ele conta que um dos benefícios é a possibilidade de identificar o potencial de compatibilidade entre a produtividade com redução das emissões, subsidiando políticas públicas e ajudando o produtor a decidir as melhores opções em termos de rentabilidade.

Na primeira fase do projeto foram alcançados três estados na Amazônia: Mato Grosso, Rondônia, Pará e quatro na Mata Atlântica: Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Bahia. Os pesquisadores utilizaram experimentos para calcular o potencial de mitigação de cada uma das tecnologias, avaliando como impactam em termos de emissão de carbono. Três tecnologias foram testadas: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, recuperação de pastagens degradadas e florestas plantadas. Os resultados surpreenderam positivamente, com impactos acima do esperado. Em um dos casos, na cidade de Sinop, Mato Grosso, uma fazenda teve produtividade 11 vezes maior que a média nacional com a mesma emissão de carbono.

Hoje são quase duas mil fazendas que usam as tecnologias indicadas pela Embrapa.