“Olericultura brasileira: do descobrimento ao século XXI” é o tema do artigo do professor Paulo Cesar Tavares de Melo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. O texto traça uma linha do tempo da olericultura (cultivo de hortaliças) brasileira da descoberta do Brasil ao presente.

A olericultura brasileira teve início assim que as caravelas de Pedro Álvares Cabral aportaram por aqui. “Na carta de Caminha, há o registro pioneiro do consumo de hortaliças no Brasil, relatando que os tupiniquins consumiam inhame — que na verdade era a mandioca — e palmito”, comenta Tavares de Melo, professor do Departamento de Produção Vegetal da Esalq.

Além da carta de Caminha, o artigo aponta que outra documentação de relevante importância sobre a alimentação da época colonial foi legada pelo conde Maurício de Nassau. “Quando chegou a Recife, em 1637, para assumir o cargo de Governador-Geral dos domínios conquistados pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais no Nordeste, Maurício de Nassau trouxe o jovem pintor Albert Eckhout em sua comitiva que, em suas naturezas mortas, deixou um registro de inestimável valor histórico retratando as frutas e hortaliças cultivadas no Brasil nesse período”.

Durante o período escravagista, foram introduzidos produtos como inhame, quiabo, jiló, maxixe, melão, cachi, vinagreira, melancia, entre outras hortaliças que faziam parte da dieta dos países africanos de onde os escravos procediam. “Essas hortaliças tiveram influência marcante na formação da diversificada e rica culinária brasileira”, explicam os pesquisadores.

Sabores e hábitos

Outras passagens da nossa história, como a chegada da família real acompanhando o Rei Dom João VI em 1808, contribuíram decisivamente para a introdução de novos sabores e hábitos na dieta alimentar, especialmente do Centro-Sul. “Em vista disso, intensificaram-se o cultivo e o consumo de hortaliças no país. Até essa época, o uso de hortaliças era insignificante, participando de parte da alimentação das famílias abastadas da colônia”.

Escrito em parceria com Arlete Melo, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o artigo foi publicado na revista da Associação Portuguesa de Horticultura (APH), confira aqui.

Da Agência USP.