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Embalagens são fontes diretas de microplásticos em alimentos

Estudo revela que uso normal de embalagens plásticas é responsável por contaminação de alimentos com micro e nanoplásticos

Published 17/07/2025
alimentos frutas plástico

Foto: Sophia Marston | Unsplash

A poluição plástica vai muito além dos resíduos que são visíveis a olho nu e estão espalhados pelo mundo. Micropartículas de plástico estão em todos os lugares onde os cientistas pesquisaram: do gelo dos polos terrestres ao sangue humano, passando pela água da chuva e pelo solo de onde vem nossa comida. Mas, um estudo recente revelou que as embalagens plásticas são uma fonte direta da contaminação dos alimentos e bebidas mostra que o uso normal de embalagens plásticas é uma fonte direta de contaminação por por microplásticos e nanoplásticos, partículas menores que 5 milímetros e com menos de 1 micrômetro, respectivamente.

As garrafas plásticas de água, por exemplo liberam essa poluição invisível – e perigosa – quando são abertas e fechadas. Segundo o estudo, existem 240 mil partículas de plástico por litro de água engarrafada.  A pesquisa, recente publicada no NPJ Science of Food, desenrolar filme plástico ou aquecer alimentos em recipientes plásticos também são ações que podem liberar partículas plásticas microscópicas que acabam em nossos alimentos e bebidas.

Essas partículas não são geradas apenas pela fabricação da embalagem, mas também pelo seu uso diário destes recipientes, que inclui abrir e fechar tampas, rasgar embalagens, aquecer, lavar ou expor os recipientes ao sol – hábitos que aceleram a liberação de microplásticos.

Microplásticos nas artérias de pacientes cardíacos. Foto: New England Journal of Medicine

Embalagens X Microplásticos

Os pesquisadores identificaram diversas embalagens responsáveis pela liberação de micro e nanoplásticos:

Em alimentos ultraprocessados, a contaminação é ainda maior, já que a sua produção envolve maior contato com máquinas e embalagens plásticas.

Foto: Markus Winkler | Unsplash

Segundo a pesquisa, alguns fatores aumentam a liberação de microplásticos por embalagens plásticas. Entre eles: aquecer os recipientes em micro-ondas ou lava-louças, expor as embalagens à luz solar, lavar constantemente e promover o atrito mecânico, abrindo e fechando tampas, por exemplo.

Tomar café, chá ou outras bebidas quentes em copos de plástico descartável é um hábito muito comum, mas que precisa ser cortado da nossa rotina.

Impacto na saúde

Um estudo, realizado em março de 2024, descobriu que pessoas com microplásticos nas artérias tinham duas vezes mais chances de sofrer um ataque cardíaco, derrame ou morrer de qualquer causa nos próximos três anos.

Além disso, mais de 3,6 mil produtos químicos usados na embalagem e no processamento de alimentos foram detectados no corpo humano. Destes, 79 estão associados a câncer, distúrbios hormonais e problemas reprodutivos.

Foto: Freestock | Unsplash

Como reduzir a contaminação?

Infelizmente, embalagens e recipientes plásticos estão presentes na nossa rotina de uma forma constante. Mas, com alguns cuidados é possível reduzir a contaminação por este material:

Usar sacos reutilizáveis ou outros recipientes plásticos para congelar ou armazenar alimentos é uma prática comum e útil para organizar o freezer e reduzir o desperdício. No entanto, o frio extremo pode causar microfissuras nestas embalagens, especialmente se forem reutilizadas e lavadas com frequência. Isso pode favorecer a liberação de microplásticos quando eles entram em contato com os alimentos.

Foto: DM9

Alternativas mais seguras e sustentáveis:

Se você continuar usando plástico, é importante não aquecer ou descongelar diretamente os alimentos dentro destas embalagens e substituí-las ao primeiro sinal de deterioração: arranhões internos, endurecimento do material ou perda de flexibilidade.

Foto: Pixabay

Uma mudança estrutural

A solução para a poluição plástica e todos os riscos que ela traz à nossa saúde e ao meio ambiente envolve muito mais do que as atitudes individuais. As empresas que usam o material nos seus processos precisam reduzir a presença de plástico em toda a cadeia produtiva, não apenas investir em programas de reciclagem que muitas vezes são ineficientes.

Um relatório do Centro para a Integridade Climática (CCI), revelou que fabricantes de plástico já sabiam há décadas  que a reciclagem generalizada dos seus produtos não era viável como solução para a poluição plástica, mas continuaram a promover este discurso como estratégia de marketing.

Segundo os pesquisadores, muitas das empresas de combustíveis fósseis já possuíam esta informação, mas seguiram enganando a população a respeito dos impactos do petróleo e gás nas mudanças climáticas e sobre o fato de que os produtos plásticos, produzidos com combustíveis fósseis, não poderiam ser sempre reciclados.

Instalação do artivista Mundano chama a atenção para o impacto do plástico de uso único. Foto: @brunaaraujods

Reduzir o uso de plástico em embalagens de alimentos é uma oportunidade fundamental para avançar em direção a uma economia verdadeiramente circular e sustentável. Mas, para isso, são necessárias ações políticas e regulatórias mais ambiciosas – já que as empresas que usam esse material não vão mudar estratégias de negócio que seguem dando lucro aos acionistas.

Substituir o plástico por materiais biodegradáveis ou reutilizáveis pode ter impactos positivos imediatos no setor de alimentos:

Nesse cenário, o Tratado Global sobre Plásticos que tem sua rodada final de negociações agendada para agosto, em Genebra, pode ser um ponto de virada. Com mais de 175 países envolvidos, esta iniciativa é uma possibilidade real de estabelecer limites e promover a inovação em embalagens seguras e sustentáveis.

Para ler o estudo complete, acesse: Food contact articles as source of micro- and nanoplastics: a systematic evidence map | npj Science of Food

Foto: Pete Linforth | Pixabay

Com informações de EcoInventos

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