Por Maurício Abbade e Pedro Garcia

O veganismo  e vegetarianismo no Brasil apresentam uma tendência de crescimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), o número de vegetarianos no País é de quase 30 milhões de brasileiros, totalizando 14% da população, quase o dobro em relação a seis anos atrás, quando a última pesquisa foi realizada, e o total e 8% da população se declarava vegetariana. Mesmo com os números crescentes, dúvidas ainda persistem. O veganismo se adapta ao prato do brasileiro?  É possível manter uma alimentação vegana e acessível?

Para a nutricionista Maiara Fidalgo, a base da alimentação diária no Brasil pode tranquilamente adaptar-se ao veganismo. Ela argumenta que com adaptações simples é possível transformar a refeição do dia-a-dia em vegana e saudável. “Se a gente pensa na estrutura do prato brasileiro, arroz, feijão proteína animal e legumes,  ao retirar a carne sobra um espacinho. Se incluir mais feijão, por exemplo, já é uma boa estratégia para ter os nutrientes necessários”, afirma.

Fidalgo explica ser necessário incluir alimentos variados na dieta e fazer as combinações necessárias, para ser saudável e consumir apenas comidas veganas. A profissional da saúde enxerga no consumo de leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, juntamente com os cereais, arroz, milho e aveia por exemplo, uma combinação capaz de suprir as necessidades alimentares de uma pessoa e suprir toda a demanda por nutrientes.

Os alimentos que indica são de fácil acesso e não possuem preços elevados. Porém, reconhece uma elitização no movimento vegano. A  pesquisadora de comunicação e alimentação Helena Jacob, compartilha da mesma visão. “É um movimento que tem  crescido muito na ponta do marketing das empresas, elas oferecem esse produtos ao verem a procura das pessoas e se apropriam disso”, comenta. Maiara Fidalgo ainda completa que as empresas criam uma necessidade que não é real, para ela a alimentação vegana pode ser alcançada apenas com alimentos facilmente encontrados, sem estar refém dos processados pela indústria alimentícia.

A nutricionista estimula a procura pelos alimentos em feiras livres e zonas cerealistas. Em tais locais é possível encontrar todos os grupos alimentares de uma dieta a base de plantas por preços acessíveis. “Em uma feira que eu vou, encontro tofu, alimento dito caro, por quatro reais o pedaço. Nas zonas cerealistas, eu pago dois reais por 500 gramas de chia, o que no mercado sairia por dez reais, por estar processado e embalado. É preciso saber de quem e onde você está comprando”.

Helena Jacob também crê na necessidade de se atentar para o que está comendo e buscar informação. Tanto a comunicadora quanto a nutricionista defendem a busca por informações sobre alimentação, para uma pessoa poder escolher o que irá comer e ter variedade em seu prato. As duas ressaltam que atualmente com a internet é possível achar fontes de informação confiáveis sobre o assunto, como a Sociedade Brasileira Vegetariana, que disponibiliza diversas receitas e dicas em seu site.

Fidalgo também explica que o prato brasileiro, vegano, é rico e capaz de suprir todas as necessidades de uma pessoa, sem ser necessário buscar por alimentos de outros países ou processados industrialmente. “Frequente zonas cerealistas, feiras livres, busque do pequeno produtor. Não tenha receio que o básico é insuficiente, o básico é incrível. Um prato de arroz, feijão, salada e verduras é incrível é muito potente e é isso que você precisa”, finaliza.