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“Suspender não é revogar”: povos indígenas do Tapajós mantêm protesto

Mobilização exige revogação de decreto que prevê a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada

povos do Tapajós
Foto: Divulgação

Desde 22 de janeiro, povos indígenas do Tapajós estão mobilizados em Santarém, no Pará, exigindo a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que inclui empreendimentos públicos federais do setor hidroviário no Programa Nacional de Desestatização. Para os manifestantes, o decreto, na prática, abre caminho para a privatização e a dragagem do rio Tapajós sem consulta aos povos afetados.

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Após duas semanas de ocupação em um terminal da Cargill, os povos indígenas tiveram uma sinalização positiva do Governo Federal, que anunciou a suspensão do edital de dragagem e a criação de um Grupo de Trabalho. Mas, a medida foi considerada insuficiente. “A suspensão não é anulação. Medidas provisórias não garantem direitos nem impedem que o projeto seja retomado a qualquer momento”, afirmou, em nota, a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Ainda em nota, a Coiab alertou para os “riscos ambientais e sociais associados à dragagem do Rio Tapajós, como impactos sobre a pesca, erosão das margens, ressuspensão de contaminantes e danos irreversíveis a um dos principais corredores ecológicos da Amazônia, sem a apresentação de estudos de impacto ambiental completos às comunidades afetadas”.

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Repercussão

Desde agosto do ano passado, quando o presidente Lula publicou o decreto que inclui as hidrovias do Rio Madeira, do Rio Tocantins e do Rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, a medida gerou controvérsias. Durante a COP, os povos Munduruku chegaram a bloquear o acesso à Zona Azul do evento para denunciar os impactos de grandes obras no Tapajós e pedir a revogação do decreto 12.600. O grupo era liderado por Alessandra Munduruku.

Nem a relevância e o reconhecimento que Alessandra Munduruku possui na mídia nacional foram suficientes para a discussão do decreto ganhar holofotes. A repercussão do tema só extrapolou a bolha nas últimas semanas após indígenas bloquearem um terminal da Cargill em Santarém e, ainda mais, na sexta-feira (6), quando o governo federal anunciou a suspensão do processo de contratação de uma empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós.

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Povos do Tapajós seguem em protesto

A decisão do governo foi comunicada em uma nota pública oficial. Para os manifestantes, o ato foi uma manobra midiática e tentativa de desmobilização. Por isso, decidiram manter a ocupação do Porto por tempo indeterminado. As demandas para o fim do protesto incluem a anulação do edital, revogação integral do decreto, respeito à consulta e avanço na demarcação das Terras Indígenas.

Em apoio aos povos do Tapajós e à revogação do decreto 12.600, circula nas redes este abaixo assinado. O texto traz um manifesto em defesa dos rios e da vida na Amazônia. Para apoiar, leia e assine aqui.

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